FEC Histórico 1928 – 1963

Março 15, 2016

O presente estudo resulta de um levantamento, realizado a partir das informações que se encontram no arquivo histórico da FEC, principalmente nos livros de actas dos diferentes órgãos encarregues de gerir o funcionamento da associação, entre 1928 e 1963.
Para além desses livros, a documentação das épocas mais remotas é muito escassa, embora também ela tenha sido consultada, na expectativa de que pudesse trazer novos e mais enriquecedores testemunhos da história desta associação, cuja fundação remonta ao ano de 1928.
Os registos mais antigos, que chegaram até aos nossos dias, datam, porém, de 1943, ano em que, um conjunto de antigos sócios terá empreendido na tarefa de reorganizar a então denominada Fraternidade Esotérica, depois de um violento incêndio consumir completamente o património histórico existente. Essa documentação, constituiria um contributo indispensável para a reconstituição das primeiras décadas de vida da associação, um levantamento que fica, deste modo, irremediavelmente incompleto.
O presente trabalho tem, no entanto, o intuito de reunir, de forma tão completa quanto possível, os dados que dizem respeito àquele que poderíamos chamar o segundo capítulo da história desta colectividade, na esperança de que nos possa trazer uma consciência mais clara da experiência daqueles que, antes de nós, foram os colaboradores e os responsáveis pelos destinos deste Lar, com os seus sucessos e dificuldades, mas a quem devemos, os primeiros passos, provavelmente os mais difíceis de todos.
Da análise dos documentos que chegaram até aos nossos dias, resulta a convicção de que, muitas são as preocupações mais recentes dos Dirigentes da Fraternidade Espírita Cristã, que encontram um perfeito paralelo com aquelas que marcaram o passado, como se de características estruturais se tratassem, capazes, por essa razão, de sobreviver às décadas e às transformações.
É certo que só num passado mais recente o carácter exclusivamente espírita da associação foi reclamado. E vemos que, embora a doutrina espírita sempre tenha estado presente, algumas outras ideias espiritualistas se vinham reunir às necessidades culturais dos sócios e frequentadores.
No entanto, desde o início, qualquer que fosse o campo de estudo, as preocupações culturais ocuparam sempre um lugar de destaque, fosse através da organização de cursos diversos, fosse pela realização de palestras e estudos elaborados individualmente e depois apresentados e discutidos pelo colectivo. O conhecimento, o esclarecimento e a divulgação, foram sempre, portanto, tarefas de primeiro plano. Às quais também, muito cedo, se juntou a preocupação com os aspectos morais, com as reflexões em torno do Evangelho, com a harmonização mental e a sua importância, bem como o respeito por todos os pensamentos que traduzissem um carácter claramente superior.
A acção social, foi, igualmente, desde o início, uma prioridade e é a essa área de acção que se ligam as primeiras iniciativas levadas a cabo pela FE. São elas a origem de um trabalho muito grato à FEC, que envolvem hoje um conjunto vastíssimo de colaboradores e a fundação de uma nova associação, a Associação Auxílio e Amizade.
Veremos, ainda, juntar-se às primeiras actividades o trabalho mediúnico, desenvolvido com dedicação e seriedade, nomeadamente no campo da desobsessão.
Um estudo mais atendo revelará, também, uma ancestral preocupação com a união entre instituições, a partilha de experiências e a confraternização, aspectos nos quais hoje tanto se procura investir. E, por último, mas não menos importantes, lá encontramos já, igualmente, o empenho na disciplina, na organização, e no investimento nas tecnologias que pudessem cooperar na modernização e na simplificação de todo o trabalho de divulgação. Fosse zelando pelo cumprimento rigoroso dos horários e directrizes de trabalho, fosse na preocupação da emissão de cartões para todos os associados, com fotografia, fosse ainda na aquisição da primeira grafonola ou mais tarde da primeira fotocopiadora.
Muitas vezes, ao longo deste trabalho, apenas foi possível indicar ordenadamente factos e acontecimentos mais ou menos pontuais, sem que se tenha podido verdadeiramente reconstruir todo o historial ou completar as lacunas múltiplas que, entretanto, surgem entre dados mais ou menos dispersos, entre acontecimentos e determinações.
Conscientes, portanto, de que o resultado deste levantamento não é, nalguns pontos, tão esclarecedor quanto seriam as nossas expectativas, é, porém, o trabalho possível, em função do que o passado nos legou através das fontes escritas que deixou chegar aos nossos dias.
Encerrada em 1 de Dezembro de 1963, por ter expirado o prazo para que fosse apresentada à PSP a aprovação dos Estatutos, a FE conheceu uma década de inactividade, até que, em meados de 1974, de novo um conjunto de sócios procurou revitalizar a associação, retomando as suas actividades em moldes renovados, com a mesma seriedade, com a mesma preocupação de divulgar e esclarecer, para chegar sempre mais longe, no trabalho por Jesus e para Jesus.

FRATERNIDADE ESOTÉRICA: 1928 – 1963

ÍNDICE GERAL

– Índice Geral………………………………………………………………………….……………….……….1

– Índice Analítico……………….………………..……………………………………………………………2

 Introdução…………………………….…..……………………………………………………………………………...5 

Cap. I – Da fundação da Fraternidade Esotérica (1928) à sua reconstituição (1943/44)………………………………………………………………………………………………………..7

Cap. II – Estrutura e funcionamento das actividades (1943-1963)……………………….9

2.1 Cursos e Estudos…………………………………………………………………………………………...22

2.2 Conferências e Palestras……………………………………………………………………………………..28

2.3 Divulgação Doutrinária…………………………………………………………………………………32

2.3.1 Publicações………………………………………………………….…………………………………..34

2.4 Actividades de Acção Social..……………………………………………………………………..….37

2.5 Festas, Comemorações e actividades de confraternização ……………………………….…….41

2.6 Iniciativas de União e confraternização entre instituições………………………………………44

Cap. III – Sede e património…………………………………………………………………………..47

– Considerações finais……………………………………………………………………………………51

– Anexos ………………………………………………………………………………………………………53

– Cronologia …………………………………………………………………………………………………60

– Bibliografia ……………………………………………………………………………………………….68

ÍNDICE ANALÍTICO

– Índice Geral………………………………………………………………………….……….1

– Índice Analítico……………….………………..……………………………………………2

 Introdução…………………………….…..…………………………………………………………5 

Cap. I – Da fundação da Fraternidade Esotérica (1928) à sua reconstituição(1943/44)……………………………………………………………………………………7

A fundação da FE. A reconstituição em 1943. A suspensão das actividades antes de 1943. Fins da Associação. As primeiras reuniões. Os sete grupos de trabalho.

Cap. II – Estrutura e funcionamento das actividades (1943-1963)……………….…9

O Conselho Superior e o Conselho Director. O regulamento do Conselho Superior. O núcleo de propaganda “A Luta pelo Bem”. A primeira Assembleia Geral. Constituição do Conselho Director. As primeiras deliberações do Conselho Director. Plano de Actividades para 1944/45. Plano de Actividades para 1946/47. Integração do “Núcleo Luz e Caridade”. Reunião de estudos do Conselho Director. Suspensão das sessões mediúnicas. O cartão de frequentador. Reestruturação do “Núcleo de Estudos Psíquicos”. Plano de Actividades para 1949/50. Plano de Actividades para 1950/51. O “Guia do Auxílio Mental”. A integração do “Núcleo Neo-espiritualista”. O ano lectivo de 1951/52. Plano de Actividades para 1952/53. Determinação sobre o comparecimento às sessões de pessoas estranhas. O legado de Firmino Assunção Teixeira. A integração da “Congregação Cristã Neo-espiritualista Portuguesa”. Plano de Actividades para 1953/54. Plano de Actividades para 1954/55. Resoluções relativas ao trabalho de desobsessão. Plano de Actividades para 1955/56. Plano de Actividades para 1956/57. O novo Regulamento Interno. Integração do grupo “Fraternidade Rosacruz”. Plano de Actividades para 1956/57. Plano de Actividades para 1957/58. Plano de Actividades para 1958/59. Plano de Actividades para 1959/60. Plano de Actividades para 1960/61. Plano de Actividades para 1961/62. Alterações relativas à Assistência espiritual. Integração do “Grupo do Intendente”. Plano de Actividades para 1962/63. Plano de Actividades para 1963/64. O encerramento das actividades em 1963.

2.1 Cursos e Estudos……………………………………………………………………………22

Curso de iniciação para o Conselho Superior. O Estudo Esotérico. O curso por correspondência. O “Núcleo de Estudos Psíquicos” e o Estudo Espiritual. O “Núcleo Neo-espiritualista”. Estudos em 1952. Uma novidade em 1953. O “Núcleo de Estudos de Higiene Mental” – primeira aula e regulamento. O Curso de Doutrinadores e de Médiuns – programa. Núcleo de aperfeiçoamento Espiritual – finalidades, programa e plano de aula. As sessões de colóquios espirituais – “Grupo Sousa Couto”.

2.2 Conferências e Palestras…………………………………………………………………….28

Palestras itinerantes – Casa da Comarca de Arganil, Tuna Comercial de Lisboa e FEP.

Participação no Congresso Espiritualista Mundial. As palestras entre 1949 e 1957. A palestra “A correlação entre o físico e o hiperfísico”. Os últimos anos. 

2.3 Divulgação Doutrinária……………………………………………………………………32

A Comissão de Propaganda. O núcleo fraternal “A Luta pelo Bem” – regulamento. Comissão de Propaganda e Intercâmbio Espiritual.

2.3.1 Publicações………………………………………………………….…………………..34

As “Epístolas”. A secção na revista “Natura”. As “Mensagens”. A revista “Fraternidade”. Outros documentos – “Carta Espiritual da Humanidade” e “Luz do Alto”.

2.4 Actividades de Acção Social..…………………………………………………………….37

“Núcleo Caridade”. A obtenção de fundos. A tradição das festas de Natal. Distribuições na Páscoa e Consultas médicas. O núcleo “Voluntários do Bem” – regulamento. Retribuições do “Núcleo Caridade”. Outras iniciativas.

2.5 Festas, Comemorações e actividades de confraternização ………………………………..……41

As primeiras festas e o seu propósito. As festas de encerramento do ano lectivo. Outras actividades de confraternização. O Grupo Cénico da FE. Comemorações.

2.6 Iniciativas de União e confraternização entre instituições………………………………………44

O Comité Nacional Português do Congresso Espiritualista Mundial. Intercâmbio entre colectividades espiritualistas. As comemorações do centenário da Codificação. A segunda Reunião Magna dos Espíritas Portugueses. Os convites estendidos às outras associações. O acordo de reciprocidade. O plano de actividades conjuntas. A festa de confraternização.

Cap. III – Sede e património………………………………………………………………47

O fundo pró-sede. O local das primeiras reuniões. As sedes provisórias. O desejo de uma sede própria. A sede da Rua Marquês de Tomar. A biblioteca. A aquisição de alguns bens móveis. As dificuldades financeiras. O encerramento da associação e a questão do património.

– Considerações finais……………………………………………………………….……51

– Anexos………………………………………………………………………………………………………53

Estatutos da Fraternidade Esotérica. Regulamento Interno da Fraternidade Esotérica – 6/6/46. Regulamento Interno da Fraternidade Esotérica – 27/10/56.

– Cronologia……………………………………………….…………………………………………..…….60

– Bibliografia………………………………………………………….………….…………………………68

– Introdução

O presente estudo resulta de um levantamento, realizado a partir das informações que se encontram no arquivo histórico da FEC, principalmente nos livros de actas dos diferentes órgãos encarregues de gerir o funcionamento da associação, entre 1928 e 1963. 

Para além desses livros, a documentação das épocas mais remotas é muito escassa, embora também ela tenha sido consultada, na expectativa de que pudesse trazer novos e mais enriquecedores testemunhos da história desta associação, cuja fundação remonta ao ano de 1928. 

Os registos mais antigos, que chegaram até aos nossos dias, datam, porém, de 1943, ano em que, um conjunto de antigos sócios terá empreendido na tarefa de reorganizar a então denominada Fraternidade Esotérica, depois de um violento incêndio consumir completamente o património histórico existente. Essa documentação, constituiria um contributo indispensável para a reconstituição das primeiras décadas de vida da associação, um levantamento que fica, deste modo, irremediavelmente incompleto. 

O presente trabalho tem, no entanto, o intuito de reunir, de forma tão completa quanto possível, os dados que dizem respeito àquele que poderíamos chamar o segundo capítulo da história desta colectividade, na esperança de que nos possa trazer uma consciência mais clara da experiência daqueles que, antes de nós, foram os colaboradores e os responsáveis pelos destinos deste Lar, com os seus sucessos e dificuldades, mas a quem devemos, os primeiros passos, provavelmente os mais difíceis de todos.

Da análise dos documentos que chegaram até aos nossos dias, resulta a convicção de que, muitas são as preocupações mais recentes dos Dirigentes da Fraternidade Espírita Cristã, que encontram um perfeito paralelo com aquelas que marcaram o passado, como se de características estruturais se tratassem, capazes, por essa razão, de sobreviver às décadas e às transformações.

É certo que só num passado mais recente o carácter exclusivamente espírita da associação foi reclamado. E vemos que, embora a doutrina espírita sempre tenha estado presente, algumas outras ideias espiritualistas se vinham reunir às necessidades culturais dos sócios e frequentadores.

No entanto, desde o início, qualquer que fosse o campo de estudo, as preocupações culturais ocuparam sempre um lugar de destaque, fosse através da organização de cursos diversos, fosse pela realização de palestras e estudos elaborados individualmente e depois apresentados e discutidos pelo colectivo. O conhecimento, o esclarecimento e a divulgação, foram sempre, portanto, tarefas de primeiro plano. Às quais também, muito cedo, se juntou a preocupação com os aspectos morais, com as reflexões em torno do Evangelho, com a harmonização mental e a sua importância, bem como o respeito por todos os pensamentos que traduzissem um carácter claramente superior.

A acção social, foi, igualmente, desde o início, uma prioridade e é a essa área de acção que se ligam as primeiras iniciativas levadas a cabo pela FE. São elas a origem de um trabalho muito grato à FEC, que envolvem hoje um conjunto vastíssimo de colaboradores e a fundação de uma nova associação, a Associação Auxílio e Amizade.

Veremos, ainda, juntar-se às primeiras actividades o trabalho mediúnico, desenvolvido com dedicação e seriedade, nomeadamente no campo da desobsessão.

Um estudo mais atendo revelará, também, uma ancestral preocupação com a união entre instituições, a partilha de experiências e a confraternização, aspectos nos quais hoje tanto se procura investir. E, por último, mas não menos importantes, lá encontramos já, igualmente, o empenho na disciplina, na organização, e no investimento nas tecnologias que pudessem cooperar na modernização e na simplificação de todo o trabalho de divulgação. Fosse zelando pelo cumprimento rigoroso dos horários e directrizes de trabalho, fosse na preocupação da emissão de cartões para todos os associados, com fotografia, fosse ainda na aquisição da primeira grafonola ou mais tarde da primeira fotocopiadora.

Muitas vezes, ao longo deste trabalho, apenas foi possível indicar ordenadamente factos e acontecimentos mais ou menos pontuais, sem que se tenha podido verdadeiramente reconstruir todo o historial ou completar as lacunas múltiplas que, entretanto, surgem entre dados mais ou menos dispersos, entre acontecimentos e determinações.

Conscientes, portanto, de que o resultado deste levantamento não é, nalguns pontos, tão esclarecedor quanto seriam as nossas expectativas, é, porém, o trabalho possível, em função do que o passado nos legou através das fontes escritas que deixou chegar aos nossos dias.

Encerrada em 1 de Dezembro de 1963, por ter expirado o prazo para que fosse apresentada à PSP a aprovação dos Estatutos, a FE conheceu uma década de inactividade, até que, em meados de 1974, de novo um conjunto de sócios procurou revitalizar a associação, retomando as suas actividades em moldes renovados, com a mesma seriedade, com a mesma preocupação de divulgar e esclarecer, para chegar sempre mais longe, no trabalho por Jesus e para Jesus.

Cap. I – Da fundação da associação (1928) à sua reconstituição (1943/44)

Dizem os anais da Fraternidade Esotérica que a sua fundação, realizada a partir de um convite tornado público através da imprensa diária, data de 28 de Setembro de 1828. 

O seu membro mais antigo e, aliás, sócio fundador, era, em 1843, Filipe Furtado Mendonça, que foi, nessa altura, convidado, pelos restantes sócios, a assinar um requerimento dirigido ao Governo Civil, solicitando uma certidão dos Estatutos e uma segunda via do Alvará. Estes documentos, e outros que eram agora necessários para reorganizar a associação, ter-se-íam perdido num incêndio;

Parece não ter sido essa, porém, a causa do desmembramento da primitiva associação, uma vez que aquele mesmo sócio, afirmaria, em 1944, numa carta dirigida à então recém eleita Comissão Administrativa, que esta instituição vira suspensa a sua actividade “pelo desinteresse mais do que por qualquer outra circunstância, da maioria dos seus componentes”. Acrescentava que o Movimento espiritualista, em Portugal, sofria, então, chagas profundas, produzidas pelos que se intitulavam espiritualistas, mas que revelavam grande ignorância, “pelo fanatismo provocado pelo charlatanismo grosseiro e pela falta de preparação cultural e espiritualista dos dirigentes” de muitas das organizações existentes. Ficamos, no entanto, sem conhecer durante quanto tempo terão estado interrompidas as actividades da associação, quantos anos terão sido mantidas após a sua fundação ou em que modelos se desenvolviam, ficando apenas a referência de que a FE tinha como propósito “a prática de estudos psíquicos e filosóficos, sua aplicação às ciências morais, físicas, históricas e psicológicas e o exercício da fraternidade nos seus diversos aspectos”.

Além dos primitivos Estatutos, que falam dos fins e da natureza desta instituição, sem especificar a sua estrutura de funcionamento, os documentos mais antigos que chegaram até aos nossos dias datam do ano de 1943. Mais precisamente de 21 de Novembro, data da primeira reunião, na qual alguns sócios, que se haviam constituído em Comissão Administrativa, deliberaram que se requeresse os acima referidos documentos, no sentido de fazer renascer uma associação que se pretendia que fosse um “verdadeiro centro de irradiação de sabedoria que (dignificasse) e (impusesse) cada um dos seus membros como valores construtivos do mundo espiritual de amanhã”. Para isso, era necessário, no entender do seu mais antigo elemento, o já referido Filipe Furtado Mendonça, proponente, também, do símbolo adoptado como logótipo da associação“entrar resolutamente pelo campo da iniciação ocultista, único caminho que (…) trás a luz do discernimento”.

É possível que a obtenção da documentação necessária tenha demorado algum tempo, uma vez que a segunda reunião só volta a ter lugar no dia 11 de Março do ano seguinte, data na qual é constituída uma Comissão de Propaganda da qual se falará adiante. Uns dias depois, numa terceira reunião, seria eleita a primeira Comissão Administrativa efectiva, composta por um Presidente, Francisco Cabrita, por um Vice-presidente, Manuel Teixeira, por um primeiro secretário, Eduardo Matos, por um segundo secretário, Luís Pereira Almeida, por um Tesoureiro, Ermelinda Silva e por dois Vogais, Maria Manuela Silva e Luís António Seia

Na mesma data, são tomadas as primeiras decissões organizativas para que, por fim, a associação voltasse a funcionar. Eduardo de Matos propõe a formação de sete grupos de trabalho: para distribuição de verba de solidariedade; acção do pensamento e tratamento à distância; iniciação Esotérica; trabalhos mediúnicos; orientação arbitrária; propaganda e música Espiritualista de Câmara. Sete áreas de acção que foram estabelecidas como directrizes do trabalho a ser realizado no futuro.

Ainda na mesma reunião foi nomeada uma comissão técnica, sob a presidência de Filipe Furtado Mendonça, constituída pelos directores dos grupos e decidiu-se que todas as reuniões deviam iniciar e encerrar com uma concentração de pensamento pelo bem geral da humanidade ou pela paz e fraternidade entre os homens. Por esta altura existiriam cerca de 44 sócios

Cap. II –  Estrutura e funcionamento das actividades (1943-1963)

Uma das primeiras preocupações da Comissão Administrativa foi a determinação das tarefas que o organismo designado por Conselho Superior deveria passar a ter sob a sua orientação. Este Conselho, deveria coordenar todas as actividades de carácter espiritual e doutrinário, desenvolvidas pela associação e funcionaria, ao que parece, em estreita relação com o Conselho Director, encontrando-se, este último, mais vocacionado para as questões de carácter administrativo. Atendendo à necessidade de estabelecer parâmetros, cedo se redigiu um regulamento que definia como responsabilidades do Conselho Superior: a direcção superior de toda a vida espiritualista e iniciática da FE; a emissão de pareceres sobre os assuntos de ordem doutrinária e científica que lhe fossem submetidos; a nomeação dos directores dos núcleos iniciáticos; a direcção das publicações editadas pela FE; a aprovação dos regulamentos das diversas comissões ou núcleos, e a introdução das alterações que julgasse indispensáveis ao seu bom funcionamento; a representação da FE em Congressos ou reuniões de carácter científico, doutrinário ou filosófico; a redacção e a assinatura de toda a correspondência de carácter científico e doutrinário; e, por último, o acompanhamento e fiscalização da acção dos núcleos, reunindo, para tal, duas vezes por mês e extraordinariamente quando fosse necessário.

Pela mesma altura, estabeleceram-se as regras de funcionamento daquele que parece ser um dos sete grupos de trabalho inicialmente previstos. Uma vez que definia como programa de acção a “propaganda exterior que (interessasse) à dignificação e consolidação da FE” e “a iniciação esotérica dos seus membros”, este “núcleo fraternal” designado “A luta pelo Bem”, constituía, provavelmente, a concretização do projectado grupo de Propaganda. Era composto por sete membros da associação e orientado pela Moral Cristã. Reunia uma vez por semana, durante duas horas, sendo a primeira hora dedicada à parte material e a segunda à espiritual, actividades que aprofundaremos à frente, no capítulo relativo à divulgação doutrinária.

A primeira Assembleia Geral desta nova fase da história da associação, realizou-se em 7 de Junho de 1944 e dela resultou, depois de um relatório circunstanciado das actividades desenvolvidas pela Comissão Administrativa, a eleição dos Corpos Gerentes e a nomeação de Carlos Calderon como presidente honorário da FE, personalidade que devia ser muito estimada e a quem a associação ficará a dever, mais tarde, o enriquecimento do seu património, com a oferta de uma biblioteca.

No dia 20, desse mesmo, mês tomou posse o Conselho Director eleito, composto por um Delegado Geral, Eduardo de Matos, dois Delegados Adjuntos, Francisco Cabrita e Manuel Teixeira, um Delegado Secretário, Luís Pereira de Almeida e um Delegado Tesoureiro, Ernelinda Silva. Este Conselho reuniu pela primeira vez dois dias após a tomada de posse.

Por sua vez, o Conselho Superior, cuja primeira reunião data de 12 de Junho de 1944, iniciou também a sua acção no sentido de enriquecer o programa de actividades da FE. Para tal propôs, em Julho desse mesmo ano, com o intuito de estabelecer, entre os sócios, a comunhão do pensamento, que a partir de 1 de Agosto, às 23 horas, todos se concentrassem na figura de Jesus, durante cinco minutos, vibrando pelo bem da humanidade. Este mesmo Conselho estabeleceria, pouco depois, o primeiro Programa de Actividades de que há nota, para o ano lectivo de 1944/45 e que consistia, em traços gerais, na criação de pequenos núcleos de iniciação, na organização de conferências subordinadas a temas morais, místicos e científicos e na edição de folhetos de divulgação doutrinária.

O Conselho Superior decidiu, ainda, na reunião de Agosto de 44, que cada um dos seus membros apresentasse estudos sobre a organização política e social do mundo do futuro, para confecção de um estudo baseado nos princípios doutrinários e morais defendidos como subsídio para a grande reforma político-social que haveria de verificar-se.

Em Janeiro do ano seguinte há notícia da entrada em funcionamento de mais dois núcleos, um dedicado aos estudos práticos de psiquismo e outro orientado para a prática da caridade, que mais tarde desenvolverá uma actividade regular no domínio da acção social.

No ano de 1946, a FE transfere-se para uma nova sede, na Av. Marquês de Tomar, nº 68, 2º andar direito, sendo ampliado o Plano de Actividades, a partir de finais de Abril. Com um grau já considerável de complexidade, o novo Plano revela um nível de empenho notável por parte dos elementos responsáveis pela organização e manutenção de todas as iniciativas. Todos os dias da semana desenvolviam o seu trabalho núcleos de estudo, constituídos por sete elementos fixos e nos quais podiam tomar parte um número ilimitado de assistentes. Ás Segundas, Quartas, Quintas e Sábados eram realizados estudos esotéricos, místicos e evangélicos, às Terças e Sextas tinham lugar as actividades dos já existentes núcleos de estudos psíquicos e de prática da caridade, ao que parece denominados “Irmãos do Bem” e “Luz e Caridade”. As reuniões realizavam-se sempre, como estabelecido, às 21.30 h.

No segundo Sábado de cada mês existiam, ainda, reuniões plenárias dos núcleos de estudos esotéricos e evangélicos, com a recapitulação dos estudos tratados ao longo desse período de tempo. Na terceira Sexta-feira de cada mês decorriam reuniões plenárias do núcleo de estudos psíquicos”Irmãos do Bem”, em que eram feitos estudos evangélicos e de iniciação esotérica e “trabalhos experimentais sobre psiquismo para exemplificação”.

A acta da segunda Assembleia Geral, realizada em Junho desse ano, dá-nos nota do Regulamento Interno então aprovado, documento através do qual é possível nos chega uma definição geral do tipo de actividades desenvolvidas pelas FE, da estrutura do estudo esotérico e também das atribuições dos Conselhos. 

No Verão deste ano, tem lugar a primeira de várias fusões de outros grupos espiritualistas na estrutura da FE. Os elementos que os constituíam tornavam-se sócios, de acordo com os Estatutos, integrando os núcleos já existentes ou formando novos núcleos de trabalho, como se verá mais adiante. Este primeiro grupo é designado como Centro “Luz e Caridade”.

Novidade é, também, a proposta apresentada em Outubro, que previa a reunião dos membros integrantes do Conselho Superior, semanalmente, aos Domingos à tarde (às 17 horas), para realização de estudos e meditações.

No que respeita ao funcionamento das actividades só encontramos um novo registo em Agosto de 1947, quando se decide a suspensão temporária das sessões chamadas “espíritas”, certamente sessões de trabalho mediúnico, realizadas às Segundas e Sextas-feiras, visto que o médium que nelas cooperava não satisfazia plenamente as aspirações do Conselho Superior.

Em Junho de 1948, no final, portanto, do ano lectivo seguinte, fala-se da necessidade de pedir aos sócios uma fotografia para constar de um Cartão de Frequentador que os identificasse dentro do Centro Espírita.

Para o ano lectivo de 1948/49 fala-se, em reunião do Conselho Director, na constituição do “Núcleo de Estudos Psíquicos”, certamente a reestruturação do núcleo anteriormente existente com a mesma designação, a que se chamara “Irmãos do Bem”. A participação seria aberta aos sócios e o funcionamento iniciar-se-ia a 18 de Outubro, na primeira Segunda-feira, na segunda Terça-feira e na terceira Sexta-feira de cada mês. Este núcleo, ao contrário da sugestão inicial, acabaria por vir a funcionar às Segundas-feiras, com interrupção das 22.30h às 23h para fazer, segundo expressão da acta da reunião do Conselho Director, “a sessão de irradiação mental do costume”, provavelmente uma actividade habitual, mantida noutros dias da semana. 

No ano lectivo seguinte, 1949/50, Francisco Cabrita propõe que as actividades da FE se realizem às Quartas e Sextas-feiras e que na primeira Segunda-feira de cada mês se reúna o Conselho Director, sempre que possível seguido de uma palestra feita por um expositor convidado, que não pertencesse à FE. Posteriormente, será proposto que às Quartas-feiras tenha ainda lugar um estudo espiritual, das 23h às 23.45h.

Para o ano de 1950/51 é programada uma nova modalidade de acção mental junto das pessoas que pedissem assistência. Este programa de cuja elaboração ficou encarregue António Lopes Custódio, consistia na disponibilização, aos interessados, de um documento escrito, contendo um conjunto de instruções para auxiliar o processo de harmonização com as leis cósmicas da vida. Desta forma, o paciente aprendia a ajudar-se a si próprios “pela confiança no poder transformador da vida ou de Deus”, conforme referência da acta do Conselho Director. Este Plano de Auxílio Mental intitulado “Guia de Auxílio Mental” seria lançado em Novembro de 1950. Durante este mesmo ano lectivo teriam ainda início, às Quartas-feiras, as actividades do Núcleo S. Paulo, tendo lugar à Segunda-feira a reunião de estudos místicos

À semelhança do que já acontecera em 1946, em Abril de 1951 voltam a ser integrados na FE elementos de um outro grupo. Tratava-se de uma pequena associação neo-espiritualista de carácter eclético, dirigida por João Mendes Piteira, que passaria a funcionar como um núcleo da FE, com reuniões às Terças, Quintas, Sábados e Domingos que estivessem livres. As suas actividades consistiam na realização de estudos sobre os quais nos debruçaremos em capítulo próprio.

Este “Núcleo Neo-espiritualista”, cujos membros se haviam tornado sócios individuais da FE, passava ainda a ter uma secção de propaganda, integrada no boletim oficial da FE “Mensagens”

Em Junho, no final do ano lectivo, provavelmente também como proposta de funcionamento para o ano seguinte, é sugerido que acabem todas as reuniões mediúnicas privadas, à excepção daquelas a que assistisse um grupo de elementos restrito e constante. É igualmente sugerido que os Domingos se destinassem a estudos e palestras da iniciativa ou com o conhecimento dos Conselhos Director ou Superior. Por último, é proposto que todos os trabalhos espíritas sejam precedidos de um estudo de natureza evangélica ou de uma pequena leitura, seguidos de um momento de meditação que possa preparar um elevado ambiente

Do ano lectivo de 1951/52, sabe-se, também, que à Segunda-feira funcionava o núcleo de estudos esotéricos, com uma secção de estudos teosóficos

No Plano de Actividades para 1952-53 vemos que a Segunda-feira se mantém ocupada com os estudos esotéricos, que à Quarta-feira se realizam sessões de irradiação mental e investigação de faculdades mediúnicas (sendo que na primeira Quarta-feira de cada mês há uma sessão de “irradiação mental e estudos bíblicos particularmente referentes à doutrinação de elevação espiritual e revigoramento da fé”) e que à Sexta-feira funciona uma sessão de “estudos espirituais, mediúnicos, místicos e de doutrinação com meditações sobre passagens bíblicas”. Nada se indica da Terça ou da Quinta-feira, mas é possível supor que a proposta apresentada pelo Conselho Director, em Junho de 1952, tenha sido colocada em funcionamento. Segundo ela, seria formado um novo núcleo para “estudos anímicos e das forças espirituais que (neutralizassem) as influências obsessoras ou negativas”, para funcionar naqueles dias da semana. Dado que este tipo de actividades eram consideradas de grande responsabilidade, a assistência seria limitada a participantes assíduos.

Em Dezembro de 1952 ficou, ainda, decidido que as pessoas estranhas só poderiam comparecer às sessões quando apresentadas aos directores das mesmas por elementos da associação, mas não poderiam comparecer duas vezes sem se tornarem, por sua vez, sócias da FE. Em Janeiro seguinte é sugerido, em reunião do Conselho Director, que a FE concorra ao rendimento do legado de Firmino Assunção Teixeira, distribuído pela FEP, em virtude de a maior parte das actividades se desenvolverem no campo da doutrinação e prática espíritas. Porque não se volta a referir o assunto, depreendemos que tenha sido uma sugestão ou iniciativa sem consequências.

Depois de cerca de uma década de funcionamento, em Fevereiro do ano de 1953, determinou-se, por fim, proceder à legalização dos Estatutos, a serem submetidos à aprovação do Ministério da Educação Nacional. Na mesma reunião do Conselho Director leu-se o projecto de uma organização espiritualista denominada “Congregação Cristã Neo-Espiritualista Portuguesa”, que desejava ter sede provisória nas instalações da FE. O pedido foi aprovado

Relativamente ao ano de 1953/54, consta no programa de actividades que: à Segunda-feira se faziam estudos espiritualistas através de temas livremente apresentados e comentados pelos presentes; à Terça-feira se realizavam “sessões mediúnicas de doutrinação no sentido de anular os efeitos de influências perturbadoras do astral”; à Quarta-feira tinham lugar “sessões mediúnicas de doutrinação para encarnados e desencarnados para harmonização física e espiritual”; à Quinta-feira sessões mediúnicas de doutrinação para a assistência; à Sexta-feira “sessões de acção caritativa pela irradiação mental”; ao Sábado sessões reservada ao grupo dos corpos directivos; e, no último Domingo de cada mês, uma reunião de “confraternização com palestras, recitativos e comunicações de ensinamentos transmitidos por médiuns videntes e intuitivos”. Estas últimas reuniões seriam suspensas a partir de Fevereiro “atendendo ao pouco interesse despertado aos sócios”. Todas as sessões começavam às 21.30h, sempre precedidas de pequena palestra e encerravam às 23.30h. Durante este ano, alguns elementos da FE (Francisco Cabrita e António Pereira da Silva) terão participado também nos trabalhos do Centro Luz e Amor

Com início no mês de Maio do ano de 1954 teve, ainda, lugar, aos Sábados, um “curso de desenvolvimento das faculdades hiperfísicas e motoras do homem”, com inscrição prévia, à base dos conhecimentos cristãos rosacrucianos. 

Volta-se a falar, durante este ano, na necessidade de fiscalizar as entradas nas reuniões, “mediante apresentação do cartão de identidade, para que não participem “curiosos” que não são sócios”. Há ainda a indicação de que mesmo durante as férias de Verão os trabalhos se mantiveram às Quintas-feiras, graças à dedicação de Eduardo Matos.

No recomeço das actividades, no início do novo ano lectivo, 1954/55, decidiu-se que todas as noites realizar-se-iam reuniões culturais e de divulgação evangélico-espiritualista, com doutrinação aos desencarnados. O Sábado à noite ficaria destinado para o desenvolvimento das qualidades superiores do espírito, dirigido por um sócio, Afonso Rodrigues Bassante, curso já referido, iniciado em Maio do ano anterior.

Em virtude dos distúrbios frequentes verificados nas sessões de desobsessão, que funcionavam às Sextas-feiras, o Conselho Director chamou a atenção, durante o ano de 1955, para o recatamento em que deveriam funcionar as referidas sessões, sugerindo que os atendidos não fossem mais que seis de cada vez. Manifestou, também, algumas preocupações relativamente ao facto dos interessados qualificarem de “tratamentos” as sessões de desobsessão, o que poderia provocar a intervenção das autoridades, com o inevitável encerramento da FE. Foi, por isso, proposto que se voltasse ao que anteriormente se fazia, sendo os obsedados submetidos a irradiação mental, assistindo às sessões de captação apenas aqueles que fossem indicados pelos Guias Espirituais. Posteriormente, foi mesmo proposto que a desobsessão deixasse de ter um carácter individual, “sendo os obsedados encaminhados aos diferentes trabalhos para serem longamente doutrinados”.

Há ainda nota, neste ano, de uma proposta de José Cândido dos Santos Mota, no sentido de se reunirem, uma vez por mês, os Corpos Gerentes, para estabelecerem directrizes de acção espiritual, em cooperação com os Guias espirituais, o que exigia o comparecimento dos médiuns nessas reuniões. É, igualmente, referido e apreciado pelo Conselho Superior, por esta altura, a organização de um “curso de doutrinadores e de treino de médiuns”, com inscrição prévia, a funcionar aos Domingos à tarde, de cujo programa da parte teórica, proposto por Francisco Cabrita, se falará à frente, no capítulo relativo aos estudos espíritas.

Há, por último, uma referência, em Julho de 1955, à existência de um “Núcleo de Estudos de Higiene Mental” (que julgamos ser o grupo dirigido por Afonso Bassante) a propósito do exigível cumprimento das regras estabelecidas, podendo ser erradicados do mesmo os elementos que não as cumprissem, por faltarem com a dignidade, a postura, ou o respeito requisitados.

O plano de trabalhos para 1955/56 volta a ser bastante completo, com actividades programadas para praticamente todos os dias da semana. Assim: à Segunda-feira teria lugar uma sessão de irradiação mental, pesquisas e observações sobre a mediunidade; à Terça uma sessão de doutrinação com médiuns de incorporação, precedida de irradiação mental; à Quarta palestras e conferências sobre temas diversos de interesse moral, espiritual e filosófico, com cooperação de um médium clarividente; à Quinta uma sessão de confraternização e palestras feitas mediunicamente para doutrinação espiritual da assistência (sessão que deixa de se realizar a partir do mês de Abril por falta de médiuns); à Sexta uma sessão doutrinária com médiuns de incorporação; e ao Sábado uma sessão de exposição de doutrinas evangélicas, espíritas e esotéricas, com colaboração dos assistentes. Na primeira Quarta-feira de cada mês haveria, ainda, uma sessão de confraternização e o “Núcleo de Aperfeiçoamento Espiritual” funcionaria, por seu turno, no segundo e no quarto Sábados.

Uma vez mais é lembrada, ao longo deste ano, a necessidade de rigor relativamente à comparência de estranhos nas sessões, sem prévio pedido ao director das mesmas, referência recorrente que nos leva a pensar que, não obstante a preocupação dos dirigentes, a indisciplina dos próprios associados traria, por vezes, algumas perturbações ao funcionamento das actividades.

Relativamente ao ano de 1956/57, estava previsto, segundo o Plano de Actividades, que à Segunda-feira tivesse lugar uma sessão de irradiação mental (durante 30 a 45 minutos) a hora certa, para que os beneficiados também estivessem em oração. Esta sessão seria antecedida por uma palestra. À Terça e Sexta-feira realizar-se-iam palestras ou leituras, seguidas de uma sessão de doutrinação para desencarnados com a cooperação do médium. Quarta-feira era o dia das sessões culturais sobre temas relacionados com a Doutrina Espírita, seguidas de mensagens e observações do médium vidente, sendo que, na primeira Quarta-feira de cada mês haveria uma palestra com um convidado estranho à FE, seguida de uma sessão cultural, cuja receita se destinava ao “Núcleo de Caridade”. Já à Quinta-feira, duas vezes por mês, realizava-se a reunião dos Conselhos, duas vezes por mês, reuniões culturais com manifestações mediúnicas. Ao Sábado tinham lugar colóquios sobre Cultura Espírita, Metapsíquica, Evangélica e Esotérica e ao Domingo, à tarde, sessões mediúnicas. 

A acta da Assembleia Geral realizada ainda no ano de 1956, em Outubro, permite-nos ficar a conhecer um novo Regulamento Interno, consideravelmente mais elaborado do que o aprovado em 1946, com todos os pormenores relativos à estrutura, funcionamento e finalidades da FE, estabelecidos em treze artigos e respectivas alíneas, que se transcreve em anexo.

À parte as especificações de carácter puramente administrativo, o Regulamento Interno apresenta as opções doutrinárias da associação, entre as quais aparecem enunciados, não só o estudo e a aplicação dos postulados espíritas, com natural relação com os ensinamentos cristãos, base que regula a maior parte das actividades, mas também um campo mais alargado de interesses, que toca os conceitos e estudos esotéricos. Esta feição assumidamente eclética marcará as actividades da FE durante todo este período, até 1964. Teremos que esperar pelo ressurgimento e reorganização da associação, depois de uma década, para a vermos afirmar-se com carácter exclusivo e eminentemente espírita, com base na codificação de Allan Kardec.

Prosseguindo para o ano de 1956/57, além do registo de ter sido aprovada a reunião, nas instalações da associação, do grupo “Fraternidade Rosacruz” (na condição de poderem assistir às suas sessões elementos da FE e não serem tratados temas contrários à Doutrina Espírita), relativamente ao Programa de Actividades, sabe-se, apenas, que à Segunda, Quarta e Sexta-feira eram realizadas sessões de desobsessão e que, a partir de Dezembro, os Corpos Directivos se reuniam, em sessão de estudo, no terceiro Sábado de cada mês.

No ano seguinte, 1957/58, ao que tudo indica, estas três sessões semanais terão sido reduzidas para duas, à Quarta e à Quinta-feira, ampliadas, posteriormente, em Março, ao segundo, terceiro e quarto Domingos de cada mês. Mensalmente, na primeira Quinta-feira tinha, ainda, lugar uma palestra feita por um elemento que não pertencesse à FE, seguida de comunicações obtidas por médiuns. Os directores de cada sessão seriam coadjuvados por um auxiliar por eles nomeado. Foi também durante este ano que um dos membros do Conselho Superior, António Pereira da Silva, comunicou estar decidido a viajar ao Brasil, com a esposa, para desenvolverem uma missão doutrinária de intercâmbio e aprendizagem, junto do maior número possível de colectividades espíritas brasileiras – missão que deveria ir até seis anos. Semelhante propósito não chegaria, no entanto, a dar os desejados frutos, pelo menos não tão cedo quanto seria de esperar, já que a associação encerraria as suas portas antes do final do prazo previsto para a sua conclusão.

O Plano de actividades para o ano lectivo de 1958/59, volta a ser relativamente detalhado, havendo registo de que à Segunda-feira eram realizadas sessões de irradiação e doutrinação, à Terça-feira de doutrinação e assistência espiritual, à Quarta, Quinta e Sexta-feira de doutrinação e aos Domingos à tarde sessões de doutrinação, reservadas para obsessões rebeldes ou que aparecessem com sintomas de urgência. Na primeira Terça-feira de cada mês realizava-se a já habitual palestra, feita por um elemento exterior à FE.

A disciplina volta a ser preocupação dos dirigentes, desta vez no que respeita ao cumprimento dos horários, sendo decidido que depois do pontual início das sessões, seria fechada a porta e apagada a luz da escada, sinal de que mais ninguém podia entrar. Em Julho deste mesmo ano, todavia, a rigidez desta determinação seria suavizada, com a deliberação de que fossem dados 15 minutos de tolerância até se fechar a porta, ficando as pessoas atrasadas na sala anexa à principal.

Em Fevereiro de 1959 Francisco Cabrita propõe a formação de um novo grupo de actividades denominado “Grupo Sousa Couto”, que se reuniria no último Sábado de cada mês, de cuja estrutura e trabalhos falaremos no capítulo “Cursos e Estudos”.

Depois da indicação de que, durante o verão de 1959 as sessões realizaram-se somente às Quartas e Sextas-feiras e que, a partir de Outubro seguiram o curso normal de funcionamento, sem alterações, só voltamos a ter notícia das actividades desenvolvidas pela FE, no começo do ano lectivo de 1960/61. Em acta de uma reunião do Conselho Superior é indicado que à Quinta-feira se passariam a realizar Colóquios Espirituais com a participação dos assistentes e ao Sábado teriam lugar sessões de desenvolvimento mediúnico. Da mesma reunião é a referência à técnica utilizada nas sessões reservadas, que consistia em “doutrinar as entidades obsessoras pela irradiação do pensamento, pela imposição das mãos como canais para eliminação dos fluidos negativos”.

Em Abril, de 1961 surge a referência a um novo tema, mais uma vez ainda actual, relacionado com a disciplina. Desta vez tratava-se das pessoas que dormiam durante as sessões, problema que os membros do Conselho Superior confessavam não saber como suprimir sem levantar escândalo. Consideravam, por um lado, que estas podiam estar a receber auxílio espiritual em estado de desdobramento, mas propunham, por outro, que fosse evitado aquele “espectáculo bastante desagradável, pedindo às pessoas que se (encontrassem) ao lado dos que (dormiam), o favor de os acordarem, devendo o director da sessão prevenir os presentes que não (resistissem) ao sono que (teriam) que desculpar que os (acordassem) ”.

Na mesma altura fala-se na ampliação das actividades semana sim, semana não, à Terça-feira, com sessões em que os presentes tivessem a possibilidade de colocar questões, consistindo a segunda parte na narrativa do que era observado, espiritualmente, pelos médiuns videntes.

Durante o ano lectivo de 1961-62, as actividades voltam a ser um pouco mais diversificadas, ocupando praticamente todos os dias da semana. Assim: à Segunda-feira funcionava o “Núcleo de Irradiação Mental, Desdobramento e Desenvolvimento Mediúnico”, sob a invocação de Sto. Agostinho e Sousa Martins; à Terça-feira, o “Núcleo Sousa Couto”, que além de sessões reservadas de assistência espiritual, orientava na primeira Terça-feira do mês, uma palestra, na segunda Terça-feira, mensagens mediúnicas e vidência e nas restantes diálogos espirituais; à Quarta-feira, sessão de doutrinação; à Quinta-feira, sessão de diálogos espirituais, com manifestações mediúnicas e doutrinação, sob a orientação do “Núcleo Luz do Alto”, dirigido por Eduardo Matos; à Sexta-feira, sessão de doutrinação sob protecção espiritual de Martins Velho; e ao Domingo, sessão sob a direcção do “Núcleo Isabel de Aragão”. Ficamos, portanto a conhecer que os núcleos de trabalho se tinham multiplicado, já que surge, aqui, referência a novos nomes.

1863 é o ano em que a FE vê as suas actividades suspensas, pela segunda vez. Das actividades decorridas ao longo deste ano sabe-se que, por volta do mês de Março, houve alterações no que dizia respeita à assistência espiritual individual, sendo suprimida a doutrinação de entidades, limitando-se a actividade “ao que os Guias (apresentassem) para tal efeito”. Sabe-se, ainda, que um novo grupo designado nas actas do Conselho Superior por “Grupo do Intendente” foi integrado na FE, organizando um núcleo de actividades doutrinárias.

Em meados do mês de Julho chegou a ser traçado o plano de trabalhos para o ano lectivo seguinte, embora esta estrutura apenas tenha podido funcionar durante o primeiro trimestre, até DezembroDesse plano constava, como habitualmente, o mapa das actividades para os diferentes dias da semana: à Segunda-feira previa-se que decorressem sessões reservadas à chamada “catequização de médiuns” para “criterioso aperfeiçoamento de faculdades sem o qual não (podia) nenhum médium desenvolver a sua actividade na FE”; à Terça funcionaria o já referido “Grupo Sousa Couto” com o seu plano de aperfeiçoamento espiritual; à Quarta e à Quinta a assistência espiritual, sendo que à Quinta-feira esse trabalho seria levado a cabo pelo “Grupo Padre Cruz”, decorrendo paralelamente uma sessão reservada, orientada pelo “Grupo Irmão Adolfo”, para casos expostos por correspondência ou apresentados pelos frequentadores; à Sexta, sessão de irradiação levada a cabo pelo grupo de irradiação mental Sousa Martins, destinada a auxiliar necessitados constantes de um ficheiro especial (sessão reservada); e, por último, ao Domingo, uma sessão de doutrinação.

Em Outubro, porém, a FE recebeu uma notificação do comando da PSP, datada de 2 de Setembro, cedendo um prazo de 90 dias, para provar que os Estatutos estavam aprovados pelo Ministério da Educação Nacional, ao abrigo do dec.º 37545 de 8-9-1949 conforme o determinava o tribunal administrativo de 12/1061. Decidiu-se apresentar os Estatutos ao MEN e escrever ao comandante da PSP para dar conhecimento do facto. Se no prazo estipulado não se obtivesse resposta, encerrar-se-iam as actividades, encerrando as dependências subalugadas, com excepção da revista, que igualmente ali tinha a sua sede, mas que estava registada como propriedade de Eduardo Matos.

Uma vez que a aguardada resposta nunca chegou a ser dirigida à FE, foi, então, tomada a penosa deliberação de, em concordância com o prazo estabelecido, suspender todas as actividades, a partir de 1 de Dezembro de 1963. Iniciava-se, assim, para esta associação, um longo período de inactividade que só seria superado depois de Abril de 1974, altura em que foi devolvida às instituições a tão esperada liberdade associativa.

2.1 – Cursos e Estudos

Quando foram designadas as actividades que deveriam assinalar o recomeço dos trabalhos na Fraternidade Esotérica, em 1944, considerou-se que não era ainda o momento adequado para estabelecer programas de estudo, por não haver “necessidade nem ambiente”.

Esta ausência de necessidade, certamente não teria a ver com uma desvalorização da importância do conhecimento, na vida da associação, mas antes com a escala de prioridades estabelecida pelos associados, nos seus interesses e nos seus desejos mais imediatos. Provavelmente, a Direcção aguardaria por um momento mais propício e de maior estabilidade, ao nível do funcionamento da Casa, para depois empreender noutro género de iniciativas. A prova de que o estudo era reconhecido como uma necessidade de primeiro plano, pelos mais responsáveis, está no facto de o Conselho Superior, apenas uns meses depois, em Novembro de 1944, ter aprovado as bases de um curso de iniciação destinado aos seus membros. De acordo com um registo de 1946, sabemos que o Conselho Superior se reunia, para estudos e meditações, todos os Domingos, às 17 horas.

Nesse mesmo ano de 1946, estabeleciam-se, por fim, os parâmetros de um “Estudo Esotérico”, destinado aos sócios em geral, cujos principais fundamentos consistiam na análise dos “ensinamentos do velho e novo testamentos, bem como de todas as manifestações de sabedoria dos grandes mestres e místicos tanto do oriente como do ocidente”. Previa-se, nessa altura, a existência de dois graus de estudo distintos, designados por “Grau Elementar” e “Grau Iniciático”. Para os pertencentes ao primeiro haveria também estudos experimentais de Psiquismo, Espiritismo e Metapsiquismo, dirigidos por elementos devidamente habilitados “que (tivessem) dado provas cabais dos seus conhecimentos e da sua isenção moral”. Estes núcleos de iniciação seriam convidados, por decisão do Conselho Superior, a principiarem os seus trabalhos com a prece “Pai”, uma oração espiritual.

A partir desta iniciativa, várias serão as propostas e as actividades desenvolvidas que privilegiam o conhecimento, através da realização de estudos diversos. É, também, referida, por essa altura, a elaboração de um “Livro Base”, para instrução, constituído por três partes, concordantes com o grau de evolução dos estudantes

Em 1947, prepara-se um Curso por correspondência, do qual se encontravam encarregues António Menezes de Jesus e António Lopes Custódio

Um ano depois, em 1948, é constituído um “Núcleo de Estudos Psíquicos”, programado inicialmente para funcionar três vezes por mês, mas que acaba por ter lugar todas as Segundas-feiras.

No ano seguinte, em 1949, é proposto que também às Quartas-feiras se realize um “estudo espiritual” entre as 23h e as 23.45h.

Em meados de 1951, há registo do início da actividade do “Núcleo Neo-espiritualista”, um grupo dirigido por João Mendes Piteira, recém integrado na FE, que se dedicaria a “estudos sobre o Evangelho e demais assuntos bíblicos e sobre doutrina esotérica e teosófica bem como sobre todas as actividades dos espíritas e sobre irradiação mental”

No ano lectivo de 1951/52, à Segunda-feira, funcionava o “Núcleo de Estudos Esotéricos”, com uma secção de estudos teosóficos, subdivididos nos temas “Sabedoria Divina” e “Relações Humanas”

Em Junho de 1952, um novo núcleo surgirá, destinado à realização de “estudos anímicos e das forças espirituais que neutralizem as influências obsessoras ou negativas” e que acrescentará a sua actividade aos habituais estudos realizados à Segunda-feira, aos estudos bíblicos realizados na primeira Quarta-feira de cada mês e às sessões de “estudos espirituais, mediúnicos, místicos e de doutrinação, com meditações sobre passagens bíblicas”, realizados às Sextas-feiras. O novo núcleo funcionaria duas vezes por semana (às Terças e Quintas-feiras) e o número de assistentes era limitado e composto por participantes assíduos, tendo em conta a responsabilidade do trabalho.

Uma outra inovação vem marcar os estudos efectuados à Segunda-feira, em 1953. É que estes passam a realizar-se com base em temas livremente apresentados e comentados pelos presentes

O ano de 1954 é marcado por uma proposta de Afonso Rodrigues Bassante, que sugeria que fosse realizado um curso de desenvolvimento das faculdades hiperfísicas e motoras do homem, à base dos conhecimentos cristãos rosacrucianos, a funcionar aos Sábados. Este curso terá começado a 15 de Maio, tendo sido encontrado um documento intitulado “Da primeira lição – 15-5-54”, com algumas orientações que, julgamos, norteariam o desenvolvimento do curso ou os conceitos que se pretendiam transmitir e que se passam a transcrever:

Pergunta do filho do Espírito ao filho ao carne: És uma pessoa normal? És uma pessoa completa?

Pergunta do filho da carne a si mesmo: 1ª Conheço-me eu bem? 2ª Tenho eu um propósito dominante para a minha vida? 3ª Tenho eu personalidade? 4ª Sou perseverante? 5ª Quero adquirir novos costumes? 6ª Tenho força de vontade? 7ª Tenho domínio próprio? 8ª Mantenho um bom humor constante? 9ª Gozo de boa saúde? 10ª Sou simpático? 11ª Tenho espírito de colaboração? 12ª Tenho iniciativa? 13ª Sei pensar correctamente? 14ª Tenho dignidade pessoal? 15ª Sou decidido? 16ª Sou entusiasta? 17ª Sou valente? 18ª Vivo uma vida superior à corrente?

Às 9, 15 e 21 horas (5 minutos de meditação)

Afirmação antes de dormir – 1ª semana – EU POSSO SER MAIS DO QUE SOU; VOU SUPERAR-ME.

Ao levantar de manhã – HOJE UNIFICAREI TODAS AS MINHAS ENERGIAS PARA O FIM SUPREMO DA MINHA VIDA.

Ao sair de casa (baixinho) QUE FARIA JESUS AGORA EM MEU LUGAR?

Vermos somente o lado agradável e belo da vida”.

Estas indicações permitem-nos formular uma vaga ideia do que seriam os conhecimentos cristãos rosacrucianos, indicados como base à elaboração deste curso. Uma vez que a transcrição acima nos parece dirigida a uma educação da mente, não é, talvez, improvável que a referência feita, posteriormente, a um “Núcleo de Estudos de Higiene Mental”, dissesse respeito a este mesmo curso, para o qual não se conhece nenhuma outra designação. Nesse caso, o Regulamento do “Núcleo de Estudos de Higiene Mental”, orientaria o funcionamento deste grupo, possibilidade que as referências à realização das reuniões ao Sábado e à aplicação do estudo na vida diária vem potenciar.

De acordo com esse regulamento, os estudantes deviam ocupar o seu lugar cinco minutos antes de começar a sessão, guardando silêncio e respeito. Qualquer dúvida ou comentário deveriam ser transmitidos, por escrito, à Direcção dos estudos, recebendo, o estudante, a resposta também por escrito. O participante devia ainda “usar da maior fraternidade”, podendo seguir a crença que quisesse, mas tolerando todos os credos e opiniões. Deveria procurar em todos os pensamentos, palavras e actos “a dignidade prática destes estudos”, requisito que uma vez incumprido provocaria a exclusão automática do estudante. O primeiro Sábado de cada mês seria reservado a “palestras, experiências e comentários individuais sobre os conhecimentos recebidos e a sua aplicação na vida prática de cada um”. Os Domingos seriam dedicados, para aqueles que quisesse, a visitas de conforto espiritual a quem de tal carecesse. Por último, a maior glória de todo o estudante seria “alcançar a felicidade e viver na Terra como um verdadeiro filho de Deus, ao cumprir o preceito: Sê perfeito como teu Pai Celestial é perfeito”.

No ano seguinte, há a destacar um Curso de Doutrinadores e de Médiuns, cuja parte teórica era composta por quatro fases: a primeira consistia nalgumas considerações sobre mediunidades e condições técnicas a atender na sua prática; a segunda consistia no estudo do “Livro dos Espíritos”; a terceira no estudo do “Livro dos Médiuns”; e a quarta em considerações místico-evangélicas e estudos de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”

Constituiu-se, também, nesse ano de 1955, um “Núcleo de Aperfeiçoamento Espiritual”, a funcionar duas vezes por mês e que tinha como finalidade permitir que fossem “aprofundados os conhecimentos sobre a doutrina e normas de vida que (permitissem) uma maior compreensão espiritual”.

O seu programa encontra-se, também, perfeitamente estruturado. O plano de execução previa a explanação dos ensinamentos evangélicos contidos nas epístolas dos apóstolos, bem como dos conhecimentos esotéricos e rosacrucianos que definissem directrizes de aperfeiçoamento moral e espiritual. Os parâmetros de estudo organizavam-se em 10 capítulos: “Cap. 1º – Conceito de Deus sob a ideia de Princípio Vivificante e de Energia Inteligente Criadora. Atributos de Deus. Como das maravilhas da Criação se podem tirar conceitos verdadeiros do Poder e Sabedoria do Criador; Cap. 2º – O Espírito do homem admitido como parcela do Princípio Vivificante que é Deus e prova da sua realidade diferenciada da vida corpórea como energia inteligente individualizada; Cap. 3º – Atributos do espírito do homem e as leis da Evolução e do Karma que fundamentam a sua perfeição crística segundo os ensinamentos espíritas e teosóficos; Cap. 4º – O pensamento e o mecanismo da actuação da prece como instrumento de interligação entre o mundo material e o espiritual; Cap. 5º – A educação da vontade é a base em que assenta o auto-domínio. Técnicas daquela educação;  Cap. 6º – Lei da unidade de toda a criação com Deus ou Lei da Fraternidade e do Amor estudada nos ensinamentos de Jesus contidos no Novo Testamento e esclarecidos nas epístolas dos apóstolos; Cap. 7º – Os ensinamentos do Cristo segundo os conceitos esotéricos e rosacrucianos; Cap. 8º – Como desenvolver os poderes latentes do espírito do homem no sentido de servir a expansão do Bem da Humanidade em geral; Cap. 9º – Médiuns e mediunidades; Cap. 10º – Vida e obra dos grandes mestres místicos da humanidade apontados como exemplos a seguir. As aulas consistiam numa exposição de 15 minutos, feita por um dos membros ou algum convidado, seguida de apresentações feitas pelos assistentes, se as houvesse. Por fim, fazer-se-iam alguns comentários, seguidos da aprovação de conclusões e respectivo registo.

Em 1956 renova-se a preocupação de que os elementos com mais responsabilidade dentro da Fraternidade Esotérica pudessem, também eles, refectuar estudos em conjunto. Assim, foi proposto que os Corpos Directivos se reunissem, uma vez por mês, numa sessão que seria denominada de “Sessão de Colóquios Espirituais”, para estudar e comentar o livro “Nosso Lar”.

Constituiu-se, por fim, em 1959, o “Grupo Sousa Couto”, composto pelos Corpos Gerentes, sócios que desejassem e membros da direcção de outras colectividades espiritualistas de Lisboa, que reunia uma vez por mês e que tinha por objectivo o aprofundamento e desenvolvimento, através de colóquios, de temas livres ou antecipadamente indicados pelos frequentadores, pormenorizando os ensinamentos espíritas, esotéricos, evangélicos e rosacrucianos.

Resta anotar que, em 1963, ano em que a associação foi obrigada a suspender temporariamente as suas actividades, continuava em funcionamento tanto o “Núcleo de aperfeiçoamento espiritual”, como o “Grupo Sousa Couto”.

2.2 – Conferências e Palestras

A par com diversas outras iniciativas, as palestras ocuparam também, desde cedo, um lugar central nas acções levadas a cabo pela associação, não só nos programas de trabalho a desenvolver na sua sede, como no calendário das actividades itinerantes. 

Este tipo de iniciativas foi inaugurado em Outubro de 1944, com “uma série de conferências em colectividades de diversas naturezas, tratando todos os temas em que, de alguma forma, se (abordasse) a espiritualidade e se (tocasse) os pontos da doutrina que (formavam) as bases da Fraternidade Esotérica, embora veladamente, conforme o auditório”. Assim, no dia 28 de Outubro, pelas 16 horas, seria apresentada, por Eduardo Matos, uma palestra com o tema “Fraternidade e Regionalismo”, aos sócios da Casa de Arganil, depois de submetida à análise do Conselho Superior que suprimiu algumas referências, cuja divulgação poderia trazer algum inconveniente.

Em Maio do ano seguinte, seria a vez da Tuna Comercial de Lisboa receber os elementos da Fraternidade Esotérica, numa palestra sobre música, havendo notícia, entretanto, de uma proposta do mês de Fevereiro para efectuar, na FEP, uma palestra com o tema “Espiritualismo, Regionalismo e Fraternidade”. Ao que tudo indica, e à falta de novos dados, parece que esta palestra seria apresentada apenas a 13 de Outubro seguinte, às 21.30h, sob a designação de conferência “Fraternidade Espiritual”.

Na FEP terão tido lugar, ainda, duas apresentações de que há registo. A primeira, em Julho de 1948, a propósito da comemoração do 1º centenário do Espiritismo, na qual Acúrcio de Campos terá desenvolvido o tema “Como tornar devidamente associados e unidos os espíritas portugueses e vantagens dessa união”a segunda, em Maio de 1950, com o tema “O consciente, o subconsciente e suas faculdades”.

A Fraternidade Esotérica participou também, durante o período compreendido entre 1943 e 1962, no Congresso Espiritualista Mundial, que teve lugar em Bruxelas, em Agosto de 1946. A tese proposta, da autoria do Presidente e do Vice-presidente do Conselho Superior, respectivamente, António Meneses de Jesus e Furtado de Mendonça, à qual, “por conveniência política” haviam sido suprimidos alguns trechos, foi apresentada com grande êxito, valendo aos autores um voto de louvor do Conselho Superior e as felicitações do Círculo Esotérico da Comunhão do Pensamento, de São Paulo, Brasil.

Quanto ao lugar ocupado pelas palestras, nas actividades que se realizavam na sede da Fraternidade Esotérica, só a partir do ano de 1949 se torna progressivamente mais importante. De mensais, em 1949/50, apresentadas por elementos não pertencentes à FE, passaram a semanais (aos Domingos) em 1951-52, sendo da iniciativa dos Conselhos Director e Superior ou mesmo de qualquer outro núcleo, desde que com prévio conhecimento do Conselho Director. Das conferências desse ano destaca-se uma, apresentada por António Menezes de Jesus, intitulada “Os grandes Mistérios Divinos”, que parece ter agradado particularmente aos assistentes

Embora no ano lectivo de 1952-53 as palestras e conferências tenham voltado a ser mensais (no último Domingo de cada mês), integradas numa reunião de confraternização, o plano de trabalhos de 1955/56 amplia consideravelmente a frequência destas actividades, que passavam a ter lugar três vezes por semana: às Quartas-feiras, sobre temas diversos de interesse moral, espiritual e filosófico; às Quintas-feiras, palestras feitas mediunicamente para doutrinação espiritual da assistência; e aos Sábados, sessões de exposição de doutrinas evangélicas, espíritas e esotéricas, com colaboração dos assistentes. Na continuidade destas actividades, o Plano de Trabalhos para o ano seguinte, 1956-57, previa a realização de palestras às Segundas e Terças-feiras, a realização de colóquios sobre cultura espírita, meta-psíquica, evangélica e esotérica, ao Sábado, e uma palestra com um convidado não pertencente à FE , na primeira Quarta-feira de cada mês. 

Uma pequena palestra sobre o tema “O fim do mundo e os tempos que são chegados segundo a ciência e segundo a bíblia”, foi realizada em 25 de Outubro de 1956, na Casa da Comarca de Arganil, a propósito da abertura oficial desse ano lectivo.

Terá sido, provavelmente, também daquele ano lectivo, a palestra de que há registo, embora não datada, intitulada “A correlação existente entre o físico e o hiperfísico”, apresentada em duas sessões, realizadas em duas Segundas-feiras consecutivas, no mês de Março. Esta palestra teria sido preparada pelo então Presidente da Mesa da Assembleia Geral, segundo o mesmo documento. A admitirmos como provável, pelo dia semanal da realização desta actividade, o ano lectivo de 1956/57, o autor das palestras seria Manuel Maria Gomes. A primeira sessão constou de um Preâmbulo e da apresentação dos temas: “As religiões e a Reencarnação”“O mecanismo da reencarnação e o mundo mental” e “A evolução do Espírito”. Quanto à segunda sessão, foram abordados, de acordo com o sumário das palestras, os temas: “Os Astros e a sua influência no nosso temperamento e no karma”“A pluralidade dos mundos habitados segundo a ciência”“As vibrações e as cores das auras e o seu significado etiológico”“Os chacras astrais e o nosso físico”, “O altruísmo celular ou a unidade vital e a Biotipologia (breve estudo do conhecimento da personalidade pela acção das glândulas endócrinas no nosso organismo) ”.

Quase nada se sabe de todas as outras palestras, realizadas antes e depois da que é referida em cima, a não ser os títulos, que enunciam o tema geral a ser tratado. 

Conhece-se, por fim, que a realização deste tipo de actividades veria a sua frequência reduzida a uma vez por semana, às Quintas-feiras, no ano lectivo seguinte.

Nos anos que se estendem até ao encerramento das actividades, em 1963, as referências à continuidade destes trabalho resumem-se à indicação de que, durante o ano lectivo de 1961/62, ele se encontrava sob a responsabilidade do Grupo Sousa Couto, tendo lugar apenas uma vez por mês. 

Nestes últimos anos, as palestras parecem ter cedido lugar, progressivamente, aos trabalhos mediúnicos de assistência espiritual.

2.3 – Divulgação Doutrinária

A par com a Acção Social, a divulgação doutrinária ocupou, desde o início, um lugar privilegiado, constituindo uma das preocupações primeiras dos Dirigentes da FE. Um dos sete grupos de trabalho propostos por Eduardo Matos, em Março de 1944, para o arranque das actividades da associação, devia dedicar-se precisamente a essa tarefa.

Antes, porém, existia já a “Comissão de propaganda”, composta por elementos da associação que, desde Novembro do ano anterior, elaboravam listas com nomes de pessoas conhecidas e amigas a quem se enviaria, depois, uma “circular como mensagem de propaganda do bem”. Esta deve ter sido, aliás, uma das primeiras iniciativas levadas a cabo pela Fraternidade Esotérica, neste período da sua história.

Em Maio de 1944 há registo de um regulamento para orientação das actividades de propaganda. É possível deduzir que o “núcleo fraternal A Luta pelo Bem”, a que o regulamento se refere, seja o mesmo enunciado dois meses antes, pela já referida proposta de Eduardo Matos. De acordo com esse regulamento, aquele núcleo “familiar” seria constituído por sete membros de FE, orientado pela Moral Cristã e teria por fins a “propaganda exterior que (interessasse) à dignificação e consolidação da FE” e à “iniciação esotérica dos seus membros”. Para conseguir os seus fins o núcleo deveria organizar festas e passeios de confraternização, “reuniões fraternais espiritualistas e cultas”, visitas de estudo sob orientação do Conselho Director ou Conselho Superior (conforme os casos), organizar um curso iniciático para os seus membros e colaborar nas publicações editadas pela FE. Devia ser dirigido por um presidente nomeado pelo Conselho Superior, sob proposta do Conselho Director e reunir uma vez por semana, durante duas horas. A primeira era dedicada à parte material e a segunda à concentração pelo bem da humanidade e pela paz no mundo, seguindo-se uma “dissertação de temas espiritualistas para formação moral, espiritual e iniciática dos seus membros”.

Em Julho de 1950 surge um novo projecto, destinado ao triénio de 1950-53. Visava o desenvolvimento de novas actividades no campo da divulgação doutrinária e das manifestações fraternais e de solidariedade, para o que foi constituída um “Comissão de propaganda e intercâmbio espiritual”.

2.3.1 – Publicações

Cedo se entendeu que as actividades de divulgação não prescindiam de um registo escrito, que materializasse as ideias e as fizesse chegar a vários lugares. Programou-se assim, ainda em Junho de 1944, a saída do primeiro documento escrito, a que se chamou “Epístola”, que foi enviado a todos os sócios e que pretendia “dar conhecimento de todas as actividades de interesse”. As Epístolas seriam editadas uma vez por mês e foi nomeada uma comissão de redacção à qual seria submetido o conteúdo doutrinário das mesmas.

Projectou-se, também, pela mesma altura, a fundação de um jornal com o nome de “Fé”, para o qual foi aberta subscrição. Foi, de resto, decidido que se solicitaria aos sócios uma contribuição para um fundo especial de propaganda.

Tudo indica que além das “Epístolas” a FE terá publicado, entre 1945 e 1947 uma secção na revista “Natura”.

Em 1948 fala-se, porém, numa publicação mensal de “mensagens” que a partir de Junho desse ano terá passado a bimestral. Desconhece-se, todavia, se estas “mensagens” constituíam uma nova publicação ou se faziam parte das referidas “Epístolas”

Pelas actas de uma reunião do Conselho Director, vemos que, em Julho de 1950, se discutia o conteúdo doutrinário destas “mensagens”, propondo-se que fosse mais eclético e que se dividisse em três secções. As primeiras três páginas deveriam ocupar-se de um “curso sobre ciência divina” (redigido por António Menezes de Jesus), a quarta e quinta páginas debruçar-se-iam sobre “doutrinação neo-espiritualista” e a sexta, sétima e parte da oitava página ficariam destinadas à secção “esoterismo”. Nesta mesma reunião, a publicação “Mensagens” é indicada como o boletim oficial da FE, referência que voltará a surgir em Abril de 1951

Por outro lado, também as “Epístolas” são referidas, em 1956, como o “Boletim da FE”, composto por três folhas.

Trata-se, aparentemente, de uma sobreposição de informação que não é possível esclarecer inteiramente. Por um lado, nem o nome, nem o número de páginas são correspondentes, por outro não é totalmente impossível que o Boletim da FE fosse conhecido pelas duas designações, sendo uma delas a oficial, e que a sua estrutura gráfica tivesse variado no decurso dos anos.

Sabemos, no entanto, que uma secção deste boletim foi generosamente cedida, em 1951, ao já referido grupo “Neo-espiritualista” de carácter eclético, cujos membros se haviam inscrito como sócios da FE, para que ali pudessem fazer as suas publicações.

Desde 1955 projectar-se-ia, contudo, um empreendimento maior. Tratava-se da publicação de uma revista, cuja capa teria o emblema da associação e que conteria duas folhas com “comunicações do além”. Esta revista, que se propunha ser órgão oficial da FE, de “Cultura moral e espiritualista de carácter eclético”, seria designada por “Fraternidade” e teria como director Francisco Cabrita e como editor Eduardo Matos.

Em Junho de 1962, aguardava-se, ainda, que fossem superadas todas a dificuldades burocráticas e a revista “Fraternidade”, registada como particular, a fim de evitar prejudicar a associação expondo-a a alguns inconvenientes, conhece a sua primeira edição, provavelmente, só no início do ano seguinte. É de destacar o bom acolhimento e as inúmeras cartas de aplauso que, a propósito dela, foram dirigidas à redacção, pela sua qualidade, quer quanto ao aspecto gráfico, quer quanto ao conteúdo.

Por fim, a FE colaborou, ainda, com a publicação de outros documentos de divulgação, nomeadamente em 1948, ano em que a associação terá contribuido com 50$00 para a publicação em folheto da “Carta Espiritual da Humanidade” e em 1962 quando o grupo familiar “Luz do Alto” editou, sem encargos para a FE, 45 mil folhetos de 16 páginas, com mensagens espirituais que foram enviadas a todo o país e com as quais se imprimiu uma edição de 3000 exemplares do livro com o mesmo nome, “Luz do Alto”.

2.4 – Actividades de Acção social

À semelhança do que aconteceu com outras áreas de trabalho, que desde muito cedo mereceram a dedicação dos Dirigentes da Fraternidade Esotérica, a organização de actividades no âmbito da Acção Social, como foi referido tem, também, as suas origens, nos afastados Anos 40 do século XX, logo no início da reorganização da associação. 

Do que nos é dado conhecer, a Acção Social ocupou um inequívoco lugar entre as actividades que a FE se propunha desenvolver, a ela se dedicando um dos sete núcleos estabelecidos para assegurarem o programa de trabalhos da associação.

Esta proposta, feita por Eduardo de Matos e aprovada na terceira reunião do Conselho Director, em Março de 1944, atribuía àquele núcleo a função de angariar uma “verba de solidariedade” que depois se encarregaria de distribuir pelos mais carenciados. 

O “Núcleo Caridade”, designação através da qual é referido nos vários documentos, viu o seu regulamento aprovado em Novembro do mesmo ano, altura em que, o próprio Conselho Director deliberou que “cinquenta por cento da quotização apurada” na FE reverteria a favor das actividades de solidariedade social, por ele desenvolvidas.

Várias serão, de resto, as iniciativas tomadas, ao longo da história da associação, com o propósito de obtenção de fundos para o desempenho das diversas acções de auxílio ao próximo. O carácter cultural marcava muitas delas, nomeadamente as festas organizadas no Ateneu Ferroviário e no salão dos Bombeiros Voluntários Lisbonenses, em Dezembro de 1944 e em 26 de Junho de 1955, respectivamente. Os dirigentes mantinham mesmo algumas preocupações de carácter doutrinário, relativamente a estas festas para que os números apresentados não destoassem do significado espiritualista das mesmas.

No intuito de angariar fundo para o “Núcleo Caridade” chegaram, também, a realizar-se sorteios mensais de objectos e apelos aos associados para que contribuíssem com alguns donativos. No ano de 1856/57, o plano de actividades da FE chegava a prever, como vimos, que na primeira Quarta-feira de cada mês, a palestra com um convidado fosse seguida de uma sessão cultural que produzisse receitas para aquele núcleo.

Logo depois da primeira acção de angariação de fundos, em 1944, encetou-se uma actividade que perdura até aos nossos dias: a festa de Natal para famílias carenciadas.

Essa primeira Acção Social de Natal consistiu na confecção de uma refeição, que foi servida a quarenta e duas crianças, e na distribuição de roupa.

Iniciava-se, portanto, uma longa tradição, de que há notícia, pelo menos, nos anos de: 1950, data em que no jantar do dia de natal (…) foram auxiliadas 80 pessoas entre adultos e crianças e distribuídos a estas muitos brinquedos e fatos apropriados”; 1951, ano em que sabemos terem surgido algumas dificuldades, por não haver quem confeccionasse o jantar a distribuir na sede da FE, tendo ficado decidido, no entanto, que, em último caso, seriam distribuídos os artigos para que as famílias fizessem o jantar em suas casas; 1953, ano em que os donativos foram dados em dinheiro, realizando-se, porém, o chamado “Natal infantil”, com a “tradicional árvore enfeitada de brinquedos a distribuir pelas crianças que os protegidos e os sócios (levassem) à sessão do dia 24 à noite”; 1954, data em que a comemoração do Natal foi realizada nos moldes do ano anterior; 1955, ano em que voltou a ser servido, na sede da FE, um jantar aos assistidos, com a árvore de Natal e presentes para as crianças; 1956, com os donativos novamente distribuídos em dinheiro; 1958, ano em que foram assistidos oitenta e um beneficiários e um número elevado de crianças; 1959, data em que a distribuição de Natal foi realizada no dia 24, como de costume, mas durante a tarde, por causa do “barulho e confusão devido às dificuldades que se (sentiam) na FE; 1960, com uma festa de Natal nos moldes das anteriores

Desconhece-se com que regularidade os donativos eram distribuídos, nestes anos. Sabe-se, no entanto, que além do Natal, pelo menos ocasionalmente, a Páscoa terá constituído uma data de referência, já que em Fevereiro de 1954 se planeava que, durante a “comemoração da semana da renúncia (semana a seguir ao domingo de ramos)”, se realizassem pedidos “de donativos para distribuir na Páscoa”

Em 1949, e durante um período de tempo que não se conhece, foram ainda dadas consultas médicas, nas dependências da FE, não só aos sócios, mas também “a quem mais (necessitasse) de um médico”.

Em Janeiro de 1856, Eduardo de Matos propunha a organização de um novo núcleo de Acção Social denominado “Voluntários do Bem”, cujas actividades, definidas por Regulamento, consistiam em: “1º – Prestar conforto moral e espiritual a quem de tal (precisasse), com palavras amigas e com momentos de companhia; (Parágrafo único – Os serviços aqui referidos (podiam) ser prestados aos domingos, por turnos, junto dos doentes hospitalizados que não (tivessem) pessoas de família que os (visitassem)); 2º – Proporcionar auxílio material urgente a necessitados, com dinheiro, roupas, medicamentos e tratamentos de enfermagem, como injecções e outras, correndo as despesas pelo Núcleo de Caridade quando o auxiliador não (pudesse), só por si, com tais encargos; 3º – Intervir para que (fosse) prestada assistência médica de urgência, em domicílio ou hospital; 4º – Intervir no sentido de que (fosse) prestada justiça a quem (precisasse) dela. 5º – Prestar todo o auxílio possível a crianças em perigo moral ou resultante de falta de vigilância; 6º – Prestar serviços profissionais da competência dos voluntários”

Todos os sócios da FE eram considerados “Voluntários do Bem”, desde que se dispusessem a prestar qualquer dos serviços indicados, havendo uma inscrição especial para serviços de enfermagem, injecções, companhia a doentes e turnos de visitas hospitalares. Qualquer serviço prestado contaria com um pequeno relatório escrito ou verbal (quando o voluntário não soubesse escrever) que seria entregue ao Presidente da Direcção da FE, para que este o registasse em livro próprio. Estava ainda contemplada a intervenção junto de obsedados, para a qual foram nomeados António Pereira da Silva e Francisco Cabrita.

Para o funcionamento deste núcleo terão concorrido, com empenho, alguns sócios da FE, uma vez que, dois anos depois da sua formação, era elogiada a boa vontade com que algumas equipas mantinham a regularidade na visitar aos hospitais e a doentes sem família.

Ao que parece, este núcleo funcionaria em paralelo com o “Núcleo de Caridade” que provavelmente sofrera uma reorganização por volta de 1954, para que pudesse “continuar a exercer uma eficiente acção caritativa” e que a partir de 1955 teria escrita e tesouraria privativa, dada a evidência da sua grande expansão. Durante esse mesmo ano, o “Núcleo de Caridade” terá ainda tido oportunidade de auxiliar a Instituição que o secundava, retribuindo, por sua vez, uma acção que já fora praticada em sentido inverso. Dadas as “graves dificuldades económicas” , foi proposto que cinquenta por cento das receitas daquele núcleo revertessem a favor da FE, “pois só com a sua colaboração se alargava a actividade caritativa”.

As ambições da Fraternidade Esotérica, no que respeita à caridade material, não se esgotavam, porém, nas actividades desenvolvidas por estes núcleos e logo no ano de 1958 surgiu a proposta da fundação de “um lar das irmãs desamparadas” para a qual se decidiu, à falta de verba suficiente, fazer um apelo aos espíritas portugueses residentes no Brasil. Não volta a haver registo do resultado dessa subscrição. Há, sim, nota de uma outra subscrição, feita entre os sócios residentes em Portugal, desta vez a favor das vítimas da guerra de Angola, já no ano de 1961.

2.6 – Festas, Comemorações e Actividades de Confraternização

Além das já referidas festas que foram expressamente organizadas com o intuito de angariar fundos a distribuir aos mais carenciados, numerosas outras actividades, do mesmo género, eram regularmente concretizadas pela FE. Provavelmente, também elas terão constituído um meio de aumentar os recursos do Núcleo de Caridade, embora apenas numa ocasião seja referida a intenção de reverter, para aquele núcleo, metade da verba obtida. Foram, todavia, e sem dúvida, uma forma de ajudar a sustentar o funcionamento da própria associação, nomeadamente no pagamento de certas dívidas e mesmo na aquisição do mobiliário.

Este género de iniciativas foi, aliás, repetido com uma frequência que posteriormente veio a diminuir, talvez porque naqueles primeiros anos as actividades propriamente doutrinárias não se encontrassem tão estruturadas quanto mais tarde viriam a estar.

Assim, a primeira festa organizada pela FE teve lugar logo em Maio de 1944, na Rua da Fé, nº 23, para a qual foram vendidos bilhetes. Esta primeira “Reunião fraternal”, como lhe chamaram, rendeu um produto líquido de 787$20.

No ano seguinte, no mês de Abril, tiveram lugar duas iniciativas. A primeira foi uma festa realizada no dia 25, na Casa da Comarca de Arganil, cujo produto, reverteu, em parte, para o Núcleo de Caridade. A segunda foi levada a efeito no dia 29, no salão da Academia de Recreio Artístico e consistia numa sessão cultural para os sócios da colectividade

Ainda nesse mesmo ano de 1945, previa-se a realização de uma festa cultural em Maio, nas instalações da Tuna Comercial de Lisboa, na qual se pretendia fazer uma palestra sobre música. Um novo registo, referente a actividades desta natureza, apenas volta a surgir em Outubro do ano seguinte, quando é referida, em reunião do Conselho Director, a festa de comemoração do 18º aniversário da FE, que teria tido lugar na sede da Academia de Recreio Artístico, na Rua dos Fanqueiros, nº 286, 1º andar.

Os anos de 1947 e 1948 parecem ter constituído momentos de pausa nestas actividades dedicadas ao convívio e à confraternização, quebrando-se mesmo o que já era considerado como tradição, a realização da festa anual para encerramento do ano lectivo. Foi, por isso, proposto, em Maio de 1949, que se iniciassem reuniões de confraternização ao ar livre, a fim de recuperar aquele hábito, devendo a primeira ter lugar em Monsanto.

No ano seguinte, em 1950, a festa anual consistiu num passeio fluvial de confraternização a Alcochete, com a cooperação de todas as colectividades espiritualistas de Lisboa, actividade que em 1952 se converteu numa “excursão de confraternização e estudo em Sintra, em 27 de Julho, com reunião de estudos ao ar livre no Parque da Pena”.

Nos anos seguintes, a preferência recaiu sobre os passeios à beira-mar. Em 1954 o encerramento do ano lectivo, realizado a 1 de Agosto, teve lugar na praia do Guincho, em 1955 na praia de Sto. António e Mata, na Caparica, em 1958 no Portinho da Arrábida e em 1959 na praia do Estoril e Sintra.

Nos anos de 1961 e 62 optou-se por passeios mais urbanos, respectivamente a Santarém e às Caldas da Rainha.

Outros momentos de confraternização e comemoração marcaram, igualmente, estes anos de actividade. Na celebração do Natal, em 1953, depois da distribuição de brinquedos às crianças assistidas pela FE, realizou-se uma sessão destinada aos sócios, para manifestação dos mensageiros espirituais. Em 1954 comemorou-se a semana da renúncia (semana a seguir ao domingo de ramos). E no ano lectivo de 1955/56, os momentos de confraternização estavam mesmo previstos no Plano de Trabalhos, com regularidade, tendo lugar na primeira Quarta-feira de cada mês e à Quinta-feira, antes da palestra.

A partir de 1955, as festas passaram a contar com a participação do Grupo Cénico da FE, dirigido por Eduardo Matos, cuja proposta de organização data de Julho desse mesmo ano e de que há notícia de apresentação pública um ano depois, no final de Junho, numa festa que seria seguida de baile. Sabe-se, ainda, que o grupo foi nomeado com a designação de “Grupo Cénico Amadores da Arte” e que a sua actuação tinha um “carácter cultural de fundo espiritualista”.

Outras comemorações foram também realizadas sob a forma de palestras e pequenas cerimónias, como foi o caso daquela que assinalou o início oficial do ano lectivo, em 25 de Outubro de 1956, na Casa da Comarca de Arganil, da qual constaria, como foi referido, uma pequena palestra sobre o tema “O fim do mundo e os tempos que são chegados segundo a ciência e segundo a bíblia”, seguida de alguns números ensaiados pelo grupo cénico. Neste tipo de cerimónias mais modestas enquadram-se, ainda, a comemoração do 1º centenário da Codificação Espírita, em 1857, a sessão solene para início das actividades, em 14 de Outubro de 1858 ou mesmo a sessão solene para assinalar o dia do desencarne de Joaquim Freire, realizada em 2 de Março de 1959, para a qual foi convidada a viúva e o Dr. Loubo Vilela, responsável por um panegírico biográfico do homenageado.

2.6 – Iniciativas de União e Confraternização entre Instituições

As iniciativas que visavam a partilha de conhecimentos e a aproximação entre instituições do mesmo género, aparecem referidas com considerável frequência ao longo da história da Fraternidade Esotérica, o que demonstra que esta preocupação se encontrava presente e que também esta necessidade, desde cedo, foi reconhecida pelos Dirigentes da associação.

A primeira notícia de actividades desenvolvidas com base na reunião das diferentes entidades, data de 1947 e refere-se à necessidade de organizar um livro sobre o já referido Congresso de Espiritualismo, realizado em Bruxelas. Para o efeito, foi decidido que seriam convidadas para a constituição de um “Comité Português”, a desenvolver a sua actividade na sede da FE, as pessoas que se tinham interessado pelo evento. Desta cooperação nasceu uma publicação do “Comité Nacional Português do Congresso Espiritualista Mundial”, editada cerca de ano e meio depois, em Dezembro de 1948.

A esta seguiram-se outras iniciativas, como a visita ao Instituto Espiritualista Português, em meados de 1948, onde a Fraternidade Esotérica, acedendo a um convite, se fez representar pelos membros do Conselho Director.

Ao aderir ao intercâmbio entre colectividades espiritualistas, a fazer por meio de palestras e conferências, a Associação terá ainda colaborado, durante o ano de 1948, nas iniciativas de aproximação que tornavam mais solidárias as instituições espiritualistas. Como foi referido, a palestra apresentada pela FE, nesse mesmo ano, a propósito da comemoração do 1º centenário do Espiritismo, que a FEP celebraria em fins de Julho, teve por tema “Como tornar devidamente associados e unidos os espíritas portugueses e vantagens dessa união”, temática que confirma inequivocamente a consciência dos elementos mais responsáveis, relativamente aos benefícios de uma união que só viria a ser constituída oficialmente no século XXI.

Segundo a documentação existente, o 1º centenário da Codificação Espírita, terá voltado a ser comemorado, desta vez efectivamente um século depois da primeira edição de “O Livro dos Espíritos”, em 1957, iniciativa na qual a Fraternidade Esotérica voltou a ter parte activa, juntamente com outras colectividades espíritas de Lisboa.

No âmbito das iniciativas de união desenvolvidas pela FEP, a Fraternidade Esotérica terá ainda cooperado na Segunda Reunião Magna dos Espíritas Portugueses, que terá tido lugar no último dia de Julho de 1949, com a partilha das actividades desenvolvidas ao longo desse ano, particularmente no que dizia respeito aos estudos doutrinários

A partir de 1950, o desejo de confraternização com outras colectividades espiritualistas surge expresso de forma mais frequente. Nesse ano, foi-lhes estendido um convite para participarem no passeio anual, realizado pelos sócios, da mesma forma que, em 1956, as diversas associações são convidadas a participar na festa de abertura do ano lectivo.

Em 1954, sabe-se que no último Domingo de cada mês se realizavam reuniões de confraternização com os outros Centros, logo depois substituídas por um convite para que aqueles participassem nas palestras públicas da Fraternidade Esotérica, a realizar às Segundas-feiras

Uns anos mais tarde, em 1959, os membros da direcção das colectividades espiritualistas de Lisboa são convidados a integrar, na Fraternidade Esotérica, o grupo de estudos “Sousa Couto” e a assistir à sessão solene realizada no dia em que se assinalava o desencarne de António Joaquim Freire. Durante o ano de 1959, seria igualmente proposto um acordo de reciprocidade com os diversos Centros, autorizando os seus sócios a frequentar as sessões da Fraternidade Esotérica, ao mesmo tempo que permitia aos sócios da Fraternidade Esotérica assistirem às reuniões das outras Associações.

Não obtante a aparente dinâmica de intercâmbio, em 1954 tinha nascido um projecto de actividade de confraternização, denominada “Festa da Primavera”, acolhida sem grande entusiasmo, à qual apenas respondera a “Ordem Esotérica Iniciática”, para dizer que não se encontrava disponível. Não esmoreceu, no entanto, a vontade de promover iniciativas desta natureza, por parte dos dirigentes da Fraternidade Esotérica e, em 1956, há notícia de um Plano de Actividades a ser desenvolvido pelos organismos espiritualistas de Lisboa, elaborado por Francisco Cabrita e por António Pereira da Silva, que seria apresentado numa reunião de representantes dos corpos directivos daqueles organismos, a 30 de Julho desse ano, no Centro Luz e Amor. Desconhecem-se os resultados dessa proposta, mas uma vez que não volta a haver qualquer referência ao assunto, presume-se que também este projecto não terá encontrado o acolhimento ambicionado.

O desejo da realização de uma festa conjunta sobreviverá, porém, durante quase uma década e apesar do desinteresse que mereceu por a proposta de 54, em 1962 volta-se a falar numa reunião de confraternização dos espíritas portugueses, a realizar no ano seguinte, para a qual devia ser constituída uma comissão com elementos de todas as colectividades espíritas, com o fim de angariar receitas, facilitando aos menos abastados as despesas de deslocação. Ao contrário das expectativas, esta nova proposta voltou a não encontrar o melhor acolhimento, por parte das restantes instituições e a história da cooperação entre diversas associações, durante este período, termina por não encontrar “a precisa cooperação”, porque os organismos espíritas de Lisboa apenas “desejavam actuar separadamente”.

2.6 – Sede e Património

Assim que a Associação foi reconstituída, em 1943, a primeira natural preocupação foi a obtenção de uma sede, indispensável para o início das actividades a que a FE se propunha.

Logo na segunda reunião da Comissão Administrativa, Filipe Furtado Mendonça sugeria, por carta, que durante um ano, os primeiros 100 sócios contribuíssem, voluntariamente, com uma quota suplementar pró-sede de 10$00 mensais, para que, ao fim desse tempo, se obtivesse o capital suficiente para, sem sobressaltos, poder resolver-se o problema da sede.

As primeiras reuniões tiveram lugar em moradas variadas: na Vila Nova da Estefânia, rés-do-chão; na sede da Federação Espírita Portuguesa, na Rua de S. Bento, nº 640; num dos gabinetes da Sociedades Teosófica; e na Rua dos Navegantes, nº 5, 5º andar, numa dependência da casa de Ermelinda Valente, amavelmente cedida, que seria a sede provisória da FE até Novembro de 1945. Nessa altura, são tomadas providências para a mudança para a Av. Visconde de Valmor, nº 60, daí voltando a mudar, em meados do ano seguinte, para a nova sede na Av. Marquês de Tomar, nº 68, 2º andar direito, onde terá já lugar a segunda Assembleia Geral, em 6 de Junho de 1946. Esta sede, arrendada, que chegou a receber obras de beneficiação em 1951 e que foi caiada pelos próprios sócios numa época em que, provavelmente, já não se esperava por uma sede própria, no Verão de 1958, será o local onde a associação desenvolverá as suas actividades até encerrar as portas em 1963, data em que se conclui, como referimos, mais um ciclo da sua história.

Entretanto, o desejo de construir uma sede devidamente projectada, em função das actividades de uma associação deste tipo, pelo menos nos primeiros tempos, manteve-se aceso, havendo mesmo notícia, por volta de 1945, da existência de um terreno, próximo de Sintra, cedido pela D. Berta Garção, certamente sócia ou simpatizante da causa. Inclusivamente, chegou a ser nomeada, por essa altura, uma comissão de dez elementos para proceder à construção da referida sede. Porém, cedo se concluiu que só se conseguiria levar a efeito semelhante empreendimento se, em simultâneo, se conseguisse construir uma casa de repouso, cuja exploração, a cargo da FE, daria os meios necessários à sua manutenção. Ficou então decidido que seria construída primeiro a casa de repouso e depois, a partir das suas receitas, a sede.

Não voltando a haver qualquer registo que nos dê nota deste assunto, à excepção de uma proposta de nomeação de uma comissão para tratar da aquisição da nova sede, em Junho de 1955, ficamos a desconhecer completamente qual terá sido o desfecho de tão arrojadas resoluções. Sabemos, apenas, que a FE ficou pela Marquês de Tomar, numas instalações que inicialmente não seriam definitivas, mas onde acabou por desenvolver a sua actividade por quase duas décadas. Para esta sede, cujo contrato de arrendamento permitia a sublocação de parte da casa, adquiriu-se, entretanto, alguma mobília indispensável

As dificuldades económicas, porém, não tardaram em fazer-se sentir e a demissão inesperada de um dos membros do Conselho Director, que dava uma quota extra para pagamento da renda da sede, de 780$00 na altura, fez com que fosse necessário “alugar mais uma dependência”.

Em compensação, em Dezembro desse ano de 1946, a FE via o seu património aumentado, com a cedência da Biblioteca que fora pertença de Carlos Calderon, não podendo, por ser para uso dos sócios, ser penhorada, vendida ou cedida, devendo em caso de dissolução da FE ser devolvida àquele que a doava. Este espólio valioso, eventualmente acrescido de outras aquisições, entretanto feitas, e acrescentado pela oferta de alguns livros, feita pelo reconhecido médium português António Joaquim Freire, em 1955, merecia já, em 1948, a dedicação de dois bibliotecários.

Em 1947 a FE investiu na compra de uma grafonola, paga em prestações mensais de 100$00, durante cerca de um ano, seguindo-se a aquisição de cadeiras “económicas e resistentes”.

No fim do ano de 1954, um sócio ofereceria um duplicador, que, no entanto, necessitava de reparação e que seria vendido dois anos depois, mediante a proposta de compra de um duplicador em segunda mão e em bom estado de que tinha tido conhecimento Eduardo Matos. 

Dois anos depois, em 1956, a associação conhece novas dificuldades económicas, quando um dos directores (José Cândido dos Santos Mota) expressa o desejo, de acordo com indicações que alega ter recebido do além, de ser riscado de sócio, pedindo licença para retirar a mobília que lhe pertencia. A FE poderia conservar, no entanto, nove plateias de cinco lugares, desde que estivesse na disposição de pagar 450$00, dívida que foi saldada, pouco depois, com o produto líquido de uma festa realizada, por essa altura. Ainda nesse ano, a instituição beneficiaria da oferta de uma carpete para o salão de trabalhos reservados e de um piano que, entretanto, se decidiu vender, por requerer uma reparação cujo valor era incomportável.

No ano seguinte, em 1957, surgem novas dificuldades, quando o senhorio deseja que a FE desocupe a sua sede por queixas dos vizinhos. A renda passou então a ser depositada

As exigências prosseguiram, sob a forma de um pedido de aumento da renda, em 1959. O Senhorio desejava que se passasse a pagar 1200$00, valor que a associação não podia sustentar, por viver das quotas dos seus associados. Acabou por decidir-se, por espírito de conciliação, pagar 1000$00, colocando o vice-presidente (Eduardo de Matos), do seu bolso, 150$00.

Em virtude da insistência do Senhorio, no pedido de um valor mais elevado, a direcção pediu autorização, logo no início de 1960, para fazer obras, alargando o salão principal, a fim de poder também recolher um maior número de sócios. As obras não chegam, contudo, a concretizar-se, porque a estrutura da casa não o permitia. Nesta sequência, surgiria, ainda, uma proposta de sublocação de novos compartimentos, para fazer face à renda, o que teria lugar logo a partir do mês de Março seguinte.

As últimas aquisições deste período terão sido um gravador de som, fim para o qual se abriu uma subscrição, no final do ano e a aquisição de um telefone privativo, em Junho de 1961.

Quando em 1963 é tomada a decisão de suspender todas as actividades, o Conselho Director, como órgão administrativo, ficou encarregue do património. Uma vez que naquelas instalações continuou a funcionar a revista Fraternidade, oficialmente desvinculada da Fraternidade Esotérica, e posteriormente no mesmo espaço, uma associação de beneficência, constituída, aliás, pelos elementos da anterior Associação e que “herdou”, igualmente, o nome de “Fraternidade”, é natural que o património não tenha sido dissolvido.

Quando em 1974 se reuniram os antigos sócios para fazer renascer a FE, existiam agora na sua sede, além da editora, uma outra associação. E uma vez que o património fora, entretanto, absorvido por estas últimas, acabou por não ser reintegrado na FE. 

– Considerações Finais

A presente recolha, permite-nos reconstituir, dentro do limite da documentação disponível, a história da actual Fraternidade Esotérica Neo-espiritualista, também designada, e mais comummente reconhecida, por Fraternidade Espírita Cristã. 

Mais do que a sua história, porém, o trabalho que aqui se apresenta leva-nos a identificar, esperamos, aquele que terá sido o perfil da Fraternidade Esotérica, durante praticamente duas décadas, nos recuados Anos 40 e 50 do século passado. Esse perfil, que daqui sobressai, permite-nos reconhecer que, não obstante o carácter eclético da associação no passado e a variedade de estudos e actividades que não encontram paralelo na actual estrutura da FEC, a maioria das grandes opções de fundo, no domínio das áreas de trabalho e das preocupações, sem dúvida, permanecem as mesmas.

Muitas linhas de orientação fundamentais e muitas decisões, embora num enquadramento social e político necessariamente diferentes, têm uma equivalência inequívoca com o que hoje se procura desenvolver. 

É certo que não é possível saber com exactidão que tipo de actividades eram desenvolvidas por muitos núcleos de que apenas há notícia do nome. A estrutura de funcionamento, assegurada por esses núcleos, foi também, definitivamente, substituída por um grande grupo de trabalho que se passou a distribuir pelas diferentes actividades.

No entanto, bem vistas as coisas, a necessidade de unidade que hoje se faz sentir estava, também ela, já presente na estrutura mais antiga da associação. Apesar da variedade de núcleos, a orientação dos trabalhos por eles desenvolvidos estava sob a responsabilidade dos membros dos Conselhos Director ou Superior, ou pelo menos sob a sua supervisão. Conselhos que mantinham unidade de pontos de vista, mesmo porque, muitas vezes, parte dos elementos que os constituíam eram os mesmos.

Identificamo-nos, portanto, talvez mais estreitamente do que uma abordagem superficial poderia demonstrar, com o espírito que norteou, desde há muito, os destinos da FEC. Estamos muito longe, todavia, de interpretarmos essa afinidade entre o passado e o presente, como uma manifestação de uma certa imobilidade no progresso da instituição. Pelo contrário, satisfazemo-nos ao compreender quanto a nossa postura na vida e na Doutrina Espírita se enraíza nesses exemplos de esforço e de dedicação, contra todos os impedimentos e dificuldades que, ainda hoje, tão bem conhecemos.

Constatamos que a continuidade no cumprimento dos planos espiritualmente traçados para esta associação está inequivocamente assegurada, sem desvios nem adulterações, situação confirmada pela identidade actual da FEC, que absolutamente reconhecemos na sua curta mas expressiva história.

Resta-nos congratularmo-nos pelo trabalho que hoje é desenvolvido, fruto, também, do desejo de honrarmos a nossa história e expressão do reconhecimento pelo trabalho que muitos outros desenvolveram antes de nós.

ANEXOS

Estatutos da Fraternidade Esotérica

Aprovados por alvará do Governo Civil de Lisboa em 28 de Setembro de 1828

Art.º 1º – É fundada em Lisboa uma associação de instrução e educação moral e intelectual, intitulada FRATERNIDADE ESOTÉRICA, que tem por fim:

  1. reunir as pessoas que ocupem prática ou teoricamente de estudos psíquicos e filosóficos, ou que se interessem pelo desenvolvimento destes estudos, e pela sua aplicação às ciências morais, físicas, históricas e psicológicas;
  2. promover a investigação e estudo das faculdades latentes no homem, e do seu dinamismo psicológico, no sentido do bem estar individual e colectivo,
  3. promover o exercício da fraternidade nos seus diferentes aspectos e pólos meios de que possa dispor (materiais, morais, etc.);
  4. criar uma biblioteca própria e promover a edição de publicações da especialidade.

Art.º 2º – A associação constará de número ilimitado de membros de ambos os sexos, sem distinção de cor, nacionalidade, posição social ou crença.

  • único – A todo o membro da associação será exigido o bom comportamento moral e civil.

Art.º 3º – A FRATERNIDADE ESOTÉRICA é completamente neutra perante todos os credos políticos, e, embora respeitando a todos, exige que os seus associados sejam, acima de tudo, elementos de ordem e trabalho, cumprindo as leis do país e respeitando as instituições vigentes.

Art.º 4º – Cada membro estudará e praticará individualmente, segundo a orientação e conhecimentos facultados e periodicamente ampliados, pelo que são dispensáveis reuniões, não influindo também a residência em qualquer ponto, por mais distante que seja.

Art.º 5º – A todo o membro da associação será enviado, gratuitamente, um exemplar do órgão oficial da mesma.

Artº. 6 – A quotização de cada membro será de 3$00 mensais, podendo as quotas ser pagas mensal, trimestral, semestral ou anualmente, mas devendo o pagamento ser sempre adentado.

  • 1º – Na ocasião da admissão cada membro adquirirá também o respectivo cartão de identidade, estatutos e diplomas, além de quaisquer outras instruções regulamentares estipuladas pela Assembleia Geral;
  • 2º – Todo o membro da associação que deixar de satisfazer o pagamento das suas quotas até 3 meses depois de efectuado o último pagamento, ou da sua validade, será demitido, sem direito a reclamações ou indemnização;
  • 3º – Exceptuam-se do disposto neste artigo os membros que se encontrarem em más circunstâncias materiais reconhecidas pelo Conselho Director;

Artº. 7º – Todo o membro que praticar actos contrários ao disposto nestes Estatutos ou quaisquer outras disposições legais, ou que possa por qualquer forma comprometer o bom nome ou fins da FRATERNIDADE ESOTÉRICA, poderá ser demitido, para o que o Conselho Director organizará o respectivo processo, que apresentará à Assembleia Geral para determinação do procedimento a adoptar.

Artº. 8º – A associação será administrada por um Conselho Director composto de 5 Delegados eleitos em reunião de Assembleia Geral ordinária, servindo por 3 anos, podendo ser reeleito, os quais elegerão entre si um Delegado Geral,, que presidirá aos trabalhos, dirigirá todos os serviços da associação, e será para todos os efeitos o seu representante oficial.

Artº. 9º – A mesa da Assembleia Geral será constituída por um Presidente e dois Secretários, eleitos em Assembleia Geral ordinária, servindo por 3 anos, podendo ser reeleitos.

Artº. 10 – O ano social conta-se de um de Julho a trinta de Junho.

Artº. 11 – A Assembleia Geral ordinária reunirá de 3 em 3 anos de um a quinze de Junho para proceder às eleições gerais e nomear uma comissão de três membros para apreciar as contas apresentadas e os actos do Conselho Director cessante.

  • único – A Assembleia Geral poderá reunir em primeira reunião se estiver presente a maioria dos membros da associação, e em segunda convocação deliberará, porém, com a presença de qualquer número de membros, sendo legais todas as resoluções tomadas.

Artº. 12º – A Assembleia Geral reunirá extraordinariamente quando o Conselho Director julgar conveniente, ou quando isso for requerido pela terça parte dos membros da associação em documento fundamentado.

Artº. 13º – Toda e qualquer votação será sempre feita por escrutínio secreto.

Artº. 14º – Haverá um Conselho Superior da Fraternidade, ao qual competirá o estudo técnico e a orientação superior de todos os trabalhos que constituem o programa da associação.

Artº. 15º – O Conselho Superior compor-se-à de número ilimitado de membros da associação.

  • 1º – Compete à Assembleia Geral eleger os primeiros sete membros que hão-de constituir este Conselho. Depois de constituído em conformidade com estas disposições, o Conselho Superior fica com a competência de eleger, para dele fazerem parte, os membros que entender conveniente, sempre de acordo com o disposto nestes Estatutos.
  • 2º – Nenhum membro poderá, no entanto, ser eleito para o Conselho Superior sem a aprovação unânime do mesmo Conselho.

Artº. 16º – Os membros do Conselho Superior elegerão entre si um Presidente, um Vice-presidente e dois Secretários para dirigirem anualmente os trabalhos do mesmo Conselho, podendo ser reeleitos.

Artº. 17º – O lugar de membro do Conselho Superior é permanente e compatível com quaisquer outros cargos da associação. Perde, porém, o direito a esse lugar todo o membro que, por qualquer motivo, deixar de ser sócio da FRATERNIDADE ESOTÉRICA.

Artº. 18º – Se alguns membros da FRATERNIDADE ESOTÉRICA desejarem reunir-se para maior desenvolvimento dos seus estudos, especialmente os que residirem fora de Lisboa, o Conselho Director poderá regulamentar a constituição de pequenos núcleos de número não superior a sete membros. Estes núcleos, além de sujeitos às disposições dos presentes Estatutos, guiar-se-ão pelos regulamentos elaborados pelo Conselho Director e pelo Conselho Superior da FRATERNIDADE ESOTÉRICA.

Artº. 19º – A FRATERNIDADE ESOTÉRICA adoptará um distintivo e uma divisa adequada aos seus fins, e, abreviadamente, poderá designar-se pelas iniciais F.E.

Artº. 20 – A FRATERNIDADE ESOTÉRICA não assumirá, em circunstância alguma, a responsabilidade de qualquer trabalho ou escrito, realizado por qualquer dos seus membros sem a sua prévia aprovação.

  • único – Da mesma forma nenhum membro da FRATERNIDADE ESOTÉRICA poderá usar esse título em qualquer trabalho ou escrito, sem previamente ter sido autorizado a fazê-lo pelo Conselho Director e pelo Conselho Superior.

Artº. 21 – A FRATERNIDADE ESOTÉRICA só poderá ser dissolvida por deliberação da maioria da Assembleia Geral, e, sem prejuízo das disposições legais, os valores que restarem serão distribuídos por casa de Caridade das mais necessitadas.

Artº. 22 – Os Corpos Gerentes que firmam os presentes Estatutos foram eleitos até ao dia trinta de Junho de mil novecentos e trinta e um, em que terminará o seu mandato.

Aprovado por unanimidade em Assembleia Geral realizada em Lisboa, aos quinze de Setembro de mil novecentos e vinte e oito.

A MESA DA ASSEMBLEIA GERAL

Augusto Araújo

António Gomes da Silva

Carlos Ferreira Salinas Caldeira de Mandanha

Regulamento Interno da Fraternidade Esotérica

(Aprovado em Assembleia Geral de 6-6-1946)

Art.º 1º – A FE é um centro de cultura espiritual e mística, bem como de acção caritativa e fraternal entre toda a humanidade sem distinção de sexos, nacionalidade e credos religiosos e políticos, podendo também estabelecer regras de cultura da saúde por processos mentais e espirituais e exercer a sua actividade em benefício dos espíritos desencarnados que necessitam de luz e conforto.

Art.º 2º – A cultura espiritual abrange todas as manifestações da alma e todas as suas potencialidades e propriedades conhecidas e ocultas em relação a Deus.

Artº. 3º – O estudo esotérico tem por principal fundamento os ensinamentos do velho e novo testamentos bem como o de todas as manifestações de sabedoria dos grandes mestres e místicos tanto do oriente como do ocidente.

Art.º 4º – Haverá dois graus de estudo que se designarão “Grau Elementar” e “Grau Iniciático”.

Parágrafo único – para os irmãos pertencentes ao 1º grau a que se refere este artigo haverá também estudos experimentais de Psiquismo e Espiritismo e Metapsiquismo, dirigidos por elementos que tenham dado provas cabais dos seus conhecimentos e da sua isenção moral, escolhidos pelo Conselho Director, ouvido o parecer do Conselho Superior da FE.

Art.º 5º – Toda a iniciação do 2º é dirigida pelos membros directivos do Conselho Superior da FE.

Artº 6º – Para todos os estudos previstos nestas “normas de acção” serão constituídos núcleos que funcionarão sob a orientação e fiscalização do Conselho Superior e regulamentos próprios aprovados pelo Conselho Director e Superior da FE.

Parágrafo único – desde que os núcleos previstos funcionem fora da sede, carecem de diploma em que conste a sua filiação na FE assinado pelo delegado geral, autenticado com o selo branco ou a assinatura reconhecida pelo notário o qual será afixado em lugar visível de modo a permitir a fácil fiscalização da FE como das autoridades legais.

Artº 7 – Ao Conselho Director pertencem todas as funções representativas, administrativas e de expansão em estreita colaboração com o Conselho Superior, a quem compete segundo o Artº 14 dos estatutos, o estudo técnico e a orientação superior de todos os trabalhos que constituem o programa da associação.

Regulamento Interno da Fraternidade Esotérica

(Aprovado em Assembleia Geral de 27-10-1956)

“Artº 1º – A instrução e educação moral e intelectual referidas no artigo primeiro dos Estatutos da FE são a educação moral e intelectual fundamentadas inteiramente nas Doutrinas do Evangelho do Divino Mestre Jesus e nas do Espiritismo Místico Religioso; e interpretado, assim, aquele artigo, a Fraternidade Esotérica tem sido desde o seu início, e é, uma associação neo-espiritualista de carácter eclético e de acção fraternal e caritativa.

Art.º 2º – Quanto às alíneas (a) (b) (c) do citado artigo 1º dos Estatutos da FE, as actividades práticas e teóricas sobre assuntos psíquicos abrangem, somente, as práticas espíritas sob o aspecto místico-religioso, e as actividades sobre assuntos filosóficos compreendem o que se refere às doutrinas espíritas e todas as manifestações da alma e suas potencialidades e propriedades conhecidas e ocultas em relação com Deus, e assim os fins da FE místico-religiosos e do exercício da fraternidade são:

1º Estabelecer, em bases de fé e credo racionais, o reconhecimento da existência de um princípio inteligente – Deus, motor e regulador de todas as forças do universo, Poder criador de tudo o que existe, e essência em vibração do Amor, da Beleza e da Perfeição; 2º Espalhar e cumprir as doutrinas do Novo Testamento do Cristo e as das epístolas dos apóstolos e promover a interpretação do Velho Testamento conforme o conceito esotérico e o do Espiritismo; 3º Espalhar e cumprir as doutrinas morais e filosóficas dos Mestres Consagrados do Espiritismo, bem como as doutrinas do Amor e da Caridade de todos os Mestres da Sabedoria Divina; 4º Promover a prática da fraternidade entre todos os homens e a fraternidade e a tolerância entre os crentes de todos os credos religiosos e de todas as escolas espiritualistas; 5º Exercer a Caridade e a Solidariedade em todos os seus aspectos; 6º Aplicar o mecanismo da acção da prece, como instrumento de interligação entre o mundo material e o espiritual e fazer a difusão do seu uso; 7º Prestar culto a Deus em vibrações e emoções de Amor, de Beleza, de Perfeição e de Harmonias; 8º Glorificar a Jesus Cristo como o maior Mestre da humanidade e como Protector e Guia dos destinos humanos; 9º Venerar os grandes Mestres da humanidade pelo impulso que deram ao progresso humano com os seus ensinos e exemplos; 10º Homenagear os desencarnados que se elevaram pelas suas virtudes, com a finalidade de uma maior compreensão entre a humanidade terrestre e a dos mundos espirituais; 11º promover reuniões de aplicação das faculdades espirituais especiais para comunicação com as almas libertas, e assim ser praticada a doutrinação evangélico-espiritualista a encarnados e desencarnados, e nelas facilitar a compreensão dos atributos de Deus, colher ensinamentos dos mensageiros do Cristo, promover a neutralização das forças negativas causadoras de obsessões e procurar por em evidência a sobrevivência e a pré-existência da alma; 12º Promover a difusão e a interpretação das seguintes leis espirituais, com o objectivo de mostrar à humanidade o benefício que pode advir-lhe do cumprimento ou compreensão delas: a) Lei da evolução e regeneração espiritual; b) Lei da Unidade de toda a criação com Deus ou lei da Fraternidade; c) Lei de Causa e Efeito, da Compensação ou do Karma; d) Lei da reencarnação ou das vidas sucessivas;

Artº 3º – Os associados da FE que não puderem comparecer às reuniões referidas na alínea (a) do artº 1º dos Estatutos da FE estudarão em suas residências os assuntos que lhes forem recomendados pelos corpos gerentes respectivos, segundo as disposições do artº 4º dos mesmos Estatutos.

Artº. 4º – As cotizações poderão ser alteradas, por suplementos, segundo proposta do Conselho Director submetida à aprovação dos corpos gerentes em reunião conjunta.

Artº 5º – Todo o membro incurso no artº 7º dos Estatutos considera-se suspenso dos seus direitos até deliberação da Assembleia Geral sobre o respectivo processo de demissão.

Artº 6º – A aprovação unânime a que se refere o parágrafo segundo do artº 15º dos estatutos limitasse à unanimidade dos membros do conselho presentes na reunião em que houver tais eleições.

Artº 7º – As actividades esotéricas têm por principal fundamento os ensinamentos do Velho Testamento, bem como todas as manifestações de sabedoria dos grandes Mestres e Místicos tanto do Oriente como do Ocidente.

Artº 8º – Para todas as actividades previstas neste regulamento serão constituídos núcleos que funcionarão sob orientação e fiscalização e do Conselho Superior e mediante regulamentos próprios aprovados pelos  Conselho Director e Superior da FE em reunião conjunta.

  • único – desde que os núcleos previstos funcionem fora da sede, carecem de diploma regulamentar em que conste a sua filiação na FE assinado pelo delegado geral e autenticado com o carimbo da FE referida.

Art.º 9º – Ao Conselho Director pertencem todas as funções representativas, administrativas e de expansão em estreita colaboração com o Conselho Superior e a este competem, segundo o art.º 14º dos Estatutos, o estudo técnico e a orientação superior de todos os trabalhos que constituem o programa das actividades da FE.

Art.º 10º – Para tratar de assuntos interdependentes ou correlativos, o Delegado Geral promoverá reuniões conjuntas dos Corpos Gerentes, ou seja do Conselho Director, Conselho Superior e Mesa da Assembleia Geral.

Art.º 11º – O Conselho Superior e o Conselho Director só tomarão deliberação com a presença da maioria simples dos seus membros.

Art.º 12º – Haverá, para coordenar, em todo o tempo, todos os serviços da Secretaria, um secretário efectivo, de função permanente nomeado em reunião conjunta dos corpos gerentes, sob proposta do Conselho Director a qual poderá acumular com qualquer cargo de eleição.

Artº.13º – Deixam de pertencer ao Conselho Superior os membros que desistirem de ser sócios da FE, os que pedirem a sua demissão do mesmo conselho, e os que faltarem às suas reuniões cinco vezes no ano sem a devida justificação apresentada pelos próprios.

CRONOLOGIA

1928

– Fundação da fraternidade Esotérica em 28 de Setembro de 1828, por convite tornado público pela imprensa diária.

1943

– Primeira reunião, em 21 de Novembro. 

– Constituição de uma Comissão Administrativa até à eleição dos Corpos Directivos. 

– Requerimento ao Governo Civil, em 22 de Dezembro, pedindo certidão de Estatutos e segunda via do alvará.

– Constituição de uma Comissão de Propaganda para elaboração de listas de pessoas conhecidas e amigas a quem se enviar uma circular com mensagem de propaganda.

1944

– Eleição da 1ª Comissão Administrativa a 19 de Março.

– Constituição de sete grupos de trabalho: 1 – Para distribuição de verba de solidariedade; 2 – Acção do pensamento e tratamento à distância; 3 – Iniciação Esotérica; 4 – Trabalhos mediúnicos; 5 – Orientação arbitrária; 6 – Propaganda; 7 – Música Espiritualista de Câmara.

– Nomeação de uma comissão técnica, constituída pelos directores dos grupos.

– Aprovação do logótipo da associação. 

– Festa realizada na Rua da Fé, nº 23.

– Regulamento do Conselho Superior.

– Regulamento do núcleo fraternal de propaganda “A Luta pelo Bem”.

– Eleição Mesa da Assembleia Geral, Conselho Superior, Conselho Director e Comissão de Contas.

– Primeira “Epístola” enviada a todos os sócios.

– Primeira reunião dos Conselhos Director e Superior.

– Subscrição para fundação do jornal “Fé”

– Solicitação aos sócios da contribuição para um fundo especial de propaganda.

– Iniciação, em Outubro, de uma série de conferências em colectividades de diversas naturezas. 

– Palestra “Fraternidade e Regionalismo”, oferecida aos sócios da Casa de Arganil. 

– Entrega ao “Núcleo de Caridade” de 50% da quotização apurada.

– Aprovação do regulamento do “Núcleo Caridade” e as bases de um curso de iniciação destinado aos membros do Conselho Superior.

– Festa no Ateneu Ferroviário cujo produto foi destinado a assistir pessoas carenciadas, no Natal.

– Refeição de Natal servida a 42 crianças e distribuição de roupa.

1945

– Aprovação do Regulamento Geral da FE e dos Regulamentos do Conselho Director e “Núcleo de Estudos Práticos de Psiquismo”.

– Nomeação de uma comissão de 10 elementos para proceder à construção da sede, num terreno cedido, em Sintra.

– Sessão cultural no salão da Academia de Recreio Artístico. 

– Festa na Casa da Comarca de Arganil. 

– Festa cultural na Tuna Comercial de Lisboa, com palestra sobre música.

– Secção publicada na revista “Natura”. 

– Congresso Espiritualista Mundial.

– Conferência “Fraternidade Espiritual” na FEB. 

1946

– Nova sede seria na Av. Marquês de tomar, 68, 2º andar direito.

– Realização de estudos esotéricos, místicos e evangélicos.

– Funcionam núcleos de estudos psíquicos e de prática da caridade. “Irmãos do Bem”, “Luz e Caridade”. 

– Elementos do Centro “Luz e caridade” integram-se na FE. 

– Aquisição de alguma mobília. 

– Comemoração do 18º aniversário da FE na Academia de Recreio Artístico.

– Voto de louvor a António Menezes de Jesus, pelo bom êxito da sua representação no Congresso de Bruxelas.

– Edição do “Livro Base” doutrinário, para instrução dos estudantes. 

– Reunião do Conselho Superior, uma vez por semana, para estudos e meditações. 

– Dificuldades económicas, proposta de aluguer de mais uma dependência. Cota suplementar para fazer face à renda.

– Cedência da Biblioteca de Carlos Calderon, 

1947

– Felicitações pelo êxito alcançado no Congresso de Bruxelas.

– Realização de um curso por correspondência. 

– Compra de uma grafonola a ser paga em prestações mensais de 100$00.

– Suspensão temporária das sessões mediúnicas. 

– Constituição do Comité Português para organizar o livro do Congresso de Bruxelas.

1948

– Biblioteca em funcionamento com dois bibliotecários. 

– Pagamento da última prestação da grafonola.

– Publicação mensal de “Mensagens”.

– Compra de cadeiras “económicas e resistentes”.

– Representação no Instituto Espiritualista Português.

– Estabelecimento de um cartão de identificação dos sócios com fotografia.

– Comemoração do 1º centenário do Espiritismo na FEP, com a apresentação da conferência “Como tornar devidamente associados e unidos os espíritas portugueses e vantagens dessa união”.

– “Mensagens” da FE passam a publicar-se de 2 em 2 meses.

– Constituição de um “Núcleo da Mocidade Espírita Portuguesa” na FEP.

– Reconstituição do “Núcleo de Estudos Psíquicos”. 

– Publicação em folheto da “Carta Espiritual da Humanidade”, pelo Comité Nacional Português do Congresso Espiritualista Mundial.

– Cooperação no intercâmbio entre colectividades espiritualistas, por meio de palestras e conferências.

1949

– Confraternização ao ar livre em Monsanto

– Participação na Segunda Reunião Magna dos Espíritas Portugueses, na FEP, com o relato das actividades da FE. 

– Consultas médicas aos sócios e a quem mais necessitasse.

– Palestras mensais feitas por pessoas estranhas à FE.

– Realização de um estudo espiritual semanal.

– Conferência na FEP com o tema “O consciente, o subconsciente e suas faculdades”.

– Passeio fluvial de confraternização a Alcochete.

1950

– Constituição da “ Comissão de propaganda e intercâmbio espiritual”.

– Início das actividades do “Núcleo S. Paulo”. 

– Estudos místicos semanais.

– Edição do “Guia de Auxílio Mental”.

– Jantar de Natal oferecido a 80 pessoas, com distribuição de brinquedos e roupas.

1951

– Integração dos membros de um grupo neo-espiritualista de carácter eclético: “Núcleo neo-espiritualista”.

– Estudos e conferências ou palestras semanais.

– Todos os trabalhos são precedidos de um estudo de natureza evangélica ou leituras espirituais de doutrinação, seguidos de meditações que preparem um elevado ambiente.

– Funcionamento do “Núcleo de estudos esotéricos” com uma secção de estudos teosóficos.

– Obras de beneficiação da sede.

– Dificuldades relativas à confecção do jantar de Natal. Distribuição dos géneros alimentares para que o jantar fosse confeccionado por cada um.

1952

– Confraternização e estudo em Sintra, no Parque da Pena.

– Novo núcleo para estudos anímicos e das forças espirituais para neutralização das influências negativas. 

– Conferência intitulada “Os grandes Mistérios Divinos”.

– Realização de estudos esotéricos, teosóficos, mediúnicos, místicos e bíblicos particularmente referentes à doutrinação de elevação espiritual e revigoramento da fé. 

– Sessões de irradiação mental e investigação de faculdades mediúnicas.

1953  

– Concurso para o rendimento do legado de Firmino de Assunção Teixeira, distribuído pela FEP. 

– Legalização dos Estatutos da FE a serem submetidos à aprovação do Ministério da Educação Nacional.

– Reunião provisória, na sede da FE da “Congregação Cristã Neo-Espiritualista Portuguesa”.

– Realização de estudos espiritualistas através de temas livremente apresentados e comentados pelos presentes.

– Sessões mediúnicas e de irradiação mental.

– Reuniões semanais de confraternização, com palestras, recitativos e comunicações de ensinamentos transmitidos por médiuns videntes.

– Cooperação nos trabalhos do Centro Luz e Amor. 

– Realização de uma comemoração de Natal para as crianças carenciadas, com a árvore enfeitada de brinquedos a distribuir. Donativos aos assistidos em dinheiro.

– Sessão dia 24 de Dezembro, à noite, destinada aos sócios, para manifestação dos mensageiros espirituais.

– Reorganização do “Núcleo de Caridade”.

1954 

– Sorteios mensais de objectos para angariação de fundos para o “Núcleo de Caridade”.

– Comemoração da semana da renúncia (semana a seguir ao domingo de ramos) com pedido de donativos para distribuir na Páscoa.

– Curso de desenvolvimento das faculdades hiperfísicas e motoras do homem – Curso de Higiene Mental. 

– Encerramento do ano lectivo na praia do Guincho.

– Comemoração do Natal como no ano anterior.

– Oferta de um duplicador necessitando de reparação.

1955

– Reuniões mensais dos Corpos Gerentes, coma presença de médiuns para cooperação dos Guias espirituais. 

– “Núcleo de Caridade com escrita e tesouraria privativa.

– Curso de doutrinadores e de treino de médiuns.

– Trabalho de desobsessão feito por irradiação mental e excepcionalmente, por indicação dos Guias Espirituais, através de sessão mediúnica.

– Decisão de encaminhamento dos obsedados aos diferentes trabalhos, para serem longamente doutrinados.

– Aprovação da publicação da revista “Fraternidade”.

– Festa cultural no salão dos Bombeiros Voluntários Lisbonenses.

– António Joaquim Freire oferece livros de sua autoria e de outros autores à biblioteca da FE.

– Organização de um grupo cénico.

– Sessões de irradiação mental, pesquisas e observações sobre a mediunidade.

– Sessões de doutrinação com médiuns de incorporação, precedida de irradiação mental.

– Palestras e conferências sobre temas diversos de interesse moral, espiritual e filosófico, com cooperação de um médium clarividente.

– Sessões mensais de confraternização.

– Sessões de exposição de doutrinas evangélicas, espíritas e esotéricas, com colaboração dos assistentes.

– Dificuldades económicas. Doação de 50% das receitas do “Núcleo de Caridade” à FE.

– Funcionamento do “Núcleo de Aperfeiçoamento Espiritual”. 

1956

– Núcleo de acção Social denominado “Voluntários do Bem”.

– Regulamento do núcleo “Voluntários do Bem”.

– Novo regulamento interno.

– Festa organizada pelo grupo cénico, seguida de baile, na Casa da Comarca de Arganil, cujo fundo paga as dívidas da FE.

– Passeio de confraternização às praias de Sto. António e Mata, na Caparica.

– Sessões semanais de irradiação mental pelos sofredores, com palestra prévia. 

– Palestras ou leituras seguidas de sessão mediúnica, semanalmente.

– Sessões culturais semanais sobre espíritas seguidas de mensagens e observações do médium vidente.

– Palestras mensais feitas por um convidado estranho à FE, seguidas de sessão cultural para produção de receitas para o “Núcleo de Caridade”.

– Colóquios semanais sobre cultura espírita, metapsíquica, evangélica e esotérica.

– Palestra sobre o tema “O fim do mundo e os tempos que são chegados segundo a ciência e segundo a bíblia” e números apresentados pelo “Grupo Cénico Amadores da Arte” na Casa da Comarca de Arganil.

– Aquisição de um duplicador em segunda mão.

– Oferta de uma carpete para o salão de trabalhos reservados e de um piano a necessitar de reparação.

– Festa de Natal no dia 24 de Dezembro, à noite. Donativos distribuídos em dinheiro.

1957

– Sessões semanais de Colóquios com comentários ao livro “Nosso Lar”.

– Sessões de desobsessão.

– Pressão do senhorio para que a FE desocupe a sua sede por queixas dos vizinhos. 

– Comemoração, do 1º centenário da Codificação Espírita.

– Sessões mediúnicas.

– Integração do grupo “Fraternidade Rosacruz”. 

1958

– Projecto de fundação de “Um lar das irmãs desamparadas”. 

– Viagem ao Brasil de António Pereira da Silva para desenvolver missão de intercâmbio junto do maior número possível de colectividades espíritas brasileiras.

– Passeio de confraternização ao Portinho da Arrábida.

– Pinturas de manutenção na sede.

– Sessões de irradiação, mediúnicas e de assistência espiritual.

– Palestras mensais feitas por um elemento exterior à FE.

– Sessão solene para inauguração das actividades lectivas.

– Festa de Natal oferecida a 81 beneficiários e um número elevado de crianças.

1959 

– Constituição do “Grupo Sousa Couto”.

– Sessão solene no dia do desencarne de J. freire, com convite à viúva e ao Dr. Loubo Vilela. 

– Reciprocidade com outros Centros, autorizando os seus sócios a frequentar as sessões da FE e vice-versa.

– Confraternização na praia do Estoril e em Sintra.

– Distribuição de Natal efectuada no dia 24 à tarde, por causa do barulho. 

1960

– Sublocação de compartimentos para fazer face à renda.

– Colóquios espirituais com a participação dos assistentes.

– Sessões de desenvolvimento mediúnico.

– Decisão de efectuar a doutrinação de entidades obsessoras pela irradiação do pensamento e pela imposição das mãos. 

– Subscrição para compra de um gravador de som.

– Festa de Natal nos moldes das anteriores.

1961

– Sessões de perguntas feitas pela assistência e respostas dadas pelo director da sessão.

– Excursão a Santarém. 

– Subscrição dos sócios a favor das vítimas da guerra de Angola.

– Proposta de aquisição de um telefone privativo.

– Núcleo de actividades de desdobramento, de irradiação mental e desenvolvimento mediúnico, sob a invocação de Sto. Agostinho e Sousa Martins.

– “Núcleo Sousa Couto” responsável por sessões de palestras, assistência espiritual e mensagens mediúnicas e vidências.

– Grupo “Luz do Alto” – sessões mediúnicas.

– Sessões de doutrinação sob protecção espiritual de Martins Velho.

– “Núcleo Isabel de Aragão”.

1962 

– Passeio às Caldas da Rainha.

– Edição pelo grupo “Luz do Alto” de 45 mil folhetos de 16 páginas com mensagens espirituais.

Edição de 3000 exemplares do livro “Luz do Alto” com mensagens espirituais.

1963

– Bom acolhimento da revista “Fraternidade”, pelo aspecto gráfico e pelo conteúdo. 

– Alteração das sessões de assistência espiritual, suprimindo-se a assistência individual.

– Integração do “Grupo do Intendente”.

– Sessões reservadas para catequização dos médiuns, 

– Sessões reservadas para casos cujos pedidos de auxílio chegassem por correspondência pelo “Grupo Irmão Adolfo”.

– Sessões de irradiação mental pelo “Núcleo de Aperfeiçoamento Espiritual”.

– Sessões mediúnicas.

– Funcionamento do “Grupo Sousa Couto” e do “Grupo padre Cruz”.

– Sessões de irradiação por necessitados constantes de um ficheiro especial pelo “Grupo de Irradiação Mental Sousa Martins”.

– Notificação recebida do comando da PSP, em 2 de Setembro, para que fosse provado que os Estatutos estavam aprovados pelo Ministério da Educação Nacional. 

– Suspensão de todas as actividades, a partir de 1 de Dezembro, ficando o Conselho Director como órgão administrativo encarregue do património.

BIBLIOGRAFIA

– Actos de Posse. Biblioteca da FEC.

– Actas da Assembleia Geral. Biblioteca da FEC

– Actas do Conselho Superior da FE, Livro nº 1 (1944-47). Biblioteca da FEC.

– Arquivo Histórico da FEC (pasta de arquivo contendo documentação dispersa). Biblioteca da FEC.

– Estatutos da Fraternidade Esotérica – aprovados por alvará do Governo Civil de Lisboa em 28 de Setembro de 1928. Lisboa: Óptima Tipográfica. 1944.

– Fraternidade Esotérica – Actas do Conselho Director, Livro nº 1 (1943-52). Biblioteca da FEC.

– Fraternidade Esotérica – Actas do Conselho Director, Livro nº 2 (1952-61). Biblioteca da FEC.

– Fraternidade Esotérica – Actas do Conselho Superior, Livro nº 2 (1947-53). Biblioteca da FEC.

– Fraternidade Esotérica – Actas do Conselho Superior, Livro nº 3 (1954-63). Biblioteca da FEC.

– Fraternidade Esotérica – Registo Geral de Sócios. Biblioteca da FEC.

– Fraternidade Esotérica – Registo de Inscrição de Sócios, Livro nº 2. Biblioteca da FEC.

– Recuperação, Organização e Arquivo da Documentação Dispersa e Localizada na sede Av. Marquês de Tomar, 68, 2º Dto., Lisboa – Trabalho efectuado pelos Corpos Gerentes do Triénio de 74/77. Biblioteca da FEC.